Kurt Masur no Rio de Janeiro

Ontem a Orquestra Sinfônica Brasileira sob a direção de Kurt Masur executou a terceira e quarta sinfonias de Brahms como a segunda parte da apresentação do ciclo no Municipal do Rio de Janeiro. Não assisti ao primeiro dia, mas a julgar apenas por essa noite posso dizer que Masur é um maestro que imprime sua boa marca por onde passa – um clichê isso, certamente, mas que não deixa de ser menos verdadeiro.

Ocorre que insatisfeito com a acústica do Teatro, Masur operou uma rigorosa mudança na disposição da orquestra no palco (sete contrabaixos atrás dos metais e naipe de violas à frente dos violoncelos). Tal rigor rende um digno resultado: a OSB se saiu excepcionalmente bem para seus padrões. Pecou um tanto na terceira, sobretudo as cordas no primeiro movimento que ficou estranho, como se estivessem ainda em aquecimento. Mas depois do intervalo a quarta sinfonia foi equilibrada em alto nível. Destaque para os sopros, sobretudo os metais.

É bonito ver Masur reger. Com 83 anos e as mãos frágeis que nem conseguem segurar por muito tempo as flores que recebe ao final, o maestro impõe sem gestos exuberantes um tom intimista e austero nas sinfonias sem perder, absolutamente, a potência. Resultado: o saudável lembrete de que escutar Brahms em concerto é sempre um acontecimento. Masur em sua passagem pelo Rio nos lembrou a imensidão quase espiritual daquela obra sinfônica.

Uma resposta

  1. Frederico Toscano
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    Bravo, Fernando!
    Realmente, Masur é fascinante!
    Lembro que fiquei profundamente impressionado ao conhecê-lo nos saudosos Concertos Internacionais da Rede Globo, regendo a Nona de Beethoven.
    Abraços!

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