Pausa para um post mais descontraído! Afinal, ainda não falamos de danças e elas sempre estiveram presentes na música. Comento aqui, ligeiramente, uma das que mais fascina: o fandango no contexto do século XVIII.

Fandago no séc. XVIII (J. Murphy)

A bela dança da corte espanhola encantou vários compositores na Europa durante o séc. XVIII. Era dançada em vilas no campo, em salões de palácios, em palcos de teatros durante óperas e balés e também tocada em peças para teclado e outros instrumentos solistas.

O fandango tornou-se uma febre naquele século, e também depois dele – tanto que é dançado até hoje em vários países, não necessariamente respeitando o seu modelo original.

Não sou especialista em fandango (nem em dança alguma!), mas explicando um pouco como funciona, normalmente é dançado por casais e inicia lentamente, com o ritmo marcado pelas castanholas, palmas das mãos, estalos dos dedos e batidas dos pés, enquanto a velocidade dos pés aumenta gradualmente, em compasso ternário. De repente há uma pausa brusca na música e os dançarinos permanecem imóveis até que a música recomece. Seria uma introdução com tema seguido de variações.

No final do Barroco e no Classicismo, Jean-Philippe Rameau (1682-1764), Domenico Scarlatti (1685-1757), Christoph Willibald Gluck (1714-1787), Antonio Soler (1729-1783), Luigi Boccherini (1743-1805), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e outros compositores escreveram maravilhosos fandangos nos mais diversos gêneros.

A seguir, estão alguns exemplos de fandango em gêneros diferentes que ilustram bem como era fascinante essa dança: no cravo, no quinteto e na ópera.

Soler: Fandango (R 146)

Boccherini: Fandango (Quinteto para cordas e violão com castanholas, G 448)

Mozart: Le Nozze di Figaro: Atto III: Finale (KV 492)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...