Vivaldi partia há 270 anos

D. Antonio Vivaldi (1678-1741)

Na tradição das datas fechadas, registro os 270 anos de falecimento do grande mestre barroco Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741), completados ontem, 28 de julho. Vivaldi dispensa apresentações, sendo um dos compositores mais gravados e difundidos nas últimas décadas.

Felizmente, conjuntos sinceramente dedicados ao estudo e interpretação de sua obra emergiram nesse tempo e nos brindaram com notáveis registros, que revelaram o concreto potencial de riqueza a ser extraído da música ímpar do Prete Rosso. O concerto para quatro flautas doces contraltos, dois chalumeaux (ancestral do clarinete), duas teorbas (grande alaúde), dois bandolins, fagote, cordas e continuo [vídeo abaixo], RV 558, é um excelente exemplo da vivacidade marcante da música de Vivaldi.

Karl VI von Habsburg (1685-1740)

Lembrando as circunstâncias de sua morte, Vivaldi, como aconteceu com outros grandes mestres, terminou sua vida na pobreza. Tendo decidido vender um considerável número dos seus manuscritos a preços irrisórios para custear uma mudança para Viena, Vivaldi pretendia encontrar o imperador Karl VI von Habsburg (1685-1740), patrono das artes e fã de sua música, a quem dedicou o conjunto de concertos para violino La Cetra, Op. 9. Quando criança, Karl VI recebeu lições de Johann Joseph Fux (1660-1741) no cravo e na direção orquestral.

Vivaldi chegou a assumir a posição de compositor da corte, mas logo em seguida o imperador faleceu. Com isso, o mestre italiano passou a não contar mais com a proteção real e entrou numa inesperada crise financeira. Novamente, Vivaldi vendeu manuscritos para sobreviver – resistindo por pouco tempo. Foi sepultado numa cova simples de um antigo cemitério situado nas imediações da atual Technische Universität Wien. Hoje existe apenas uma placa de homenagem na parede da Universidade registrando o possível local do seu túmulo.

Placa indicando a localização do túmulo de Vivaldi, em Viena (Áustria)

Não apenas o vigor enérgico marca a música de Vivaldi. Abaixo está um dos mais belos momentos introspectivos de sua obra: a ária Cum dederit delectis suis somnum do moteto Nisi Dominus (RV 608).

3 Respostas

  1. Leonardo T. Oliveira
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    Muitíssimo bem lembrado! E fiquei muito feliz por você ter mencionado esta ária desse Nisi Dominus, justamente na interpretação do Andras Scholl, que é uma música linda demais e que tem tudo a ver com o texto que traz.

  2. Lucas Bender
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    Bravo

  3. Pedro Gade Rodrigues
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    Excelente texto sobre Vivaldi, com bons comentários históricos. As músicas foram muito bem escolhidas e traduzem de forma clara o gênio desse mestre do barroco.
    O blog está de parabéns!

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