Harnoncourt, o adeus a um dos maiores mestres em música antiga

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Copyright: Marco Borggreve.
Copyright: Marco Borggreve.

Tendo acabado de anunciar sua aposentadoria aos 86 anos de uma vida ativamente devotada à música, o conde Nikolaus de la Fontaine und d’Harnoncourt-Unverzagt, nascido em Berlim (1929), descendente de huguenotes franceses e imperadores austríacos, deixou nossa convivência neste sábado (5).

Harnoncourt era uma referência universalmente aclamada em música renascentista e barroca, tendo em sua produção títulos de renome acadêmico e uma rica discografia com registros pioneiros e fartamente estudados em obras muitas vezes negligenciadas pelos intérpretes tradicionais. Fez também aplaudidos passeios na música do classicismo e romantismo, dirigindo com frequência as Orquestras Filarmônicas de Berlim e Viena, a Ópera de Viena, a Ópera de Zurique, Orquestra de Câmara da Europa, Concertgebouw Orquestra de Amsterdã, entre outras. Nos seus projetos mais valiosos está a gravação integral das cantatas de Bach pela Teldec, sempre acompanhado pelo conjunto que fundou ao lado da violinista Alice Hoffelner, sua inseparável companheira: o Concentus Musicus Wien.

Foi pioneiro nas gravações historicamente informadas. Um guerreiro incansável do respeito às origens das obras-primas e à difusão de sua importância para a posteridade. Era exímio intérprete do violoncelo e viola da gamba, particularmente no início de sua carreira. Além de Bach e Monteverdi, em especial, de quem deixou inúmeros registros, como uma coleção de suas óperas em vídeo pela Deutsche Grammophon em parceria com o refinado diretor Jean-Pierre Ponnelle (1935-1988), Harnoncourt dedicou-se com afinco a Mozart, produzindo exaustivamente suas óperas, trabalhos sacros, concertantes e sinfônicos. Podemos ouvi-lo com o mestre alemão desde a sua primeira sinfonia até a sua obra derradeira: a missa fúnebre. Buscou sempre revelar novos talentos, assim como se manteve fiel a antigos parceiros em seus registros.

Harnoncourt faz parte da formação musical de várias gerações e nos deixou sua marca profunda, preservada com muito respeito e gratidão. Abaixo, recordamos um dos seus momentos marcantes. O Euterpe deixa aqui a sua homenagem a esse ser humano muito especial. Descanse em paz, grande mestre.

RIP+

6 Respostas

  1. Bosco
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    Assino o que você escreveu, caro Fred. O meu amor e conhecimento da música de Monteverdi, Haydn, Mozart, Schubert e Brahms foram substancialmente enriquecidas por Harnoncourt. Adeus, grande mestre.

  2. Heber Fiori
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    Descanse em paz, somos gratos por tudo.

  3. F. S. Monteiro
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    Além de tudo isso que o mestre Frederico nos conta, é preciso lembrar que Nikolaus Harnoncourt era também um escritor sobre música, de mäo cheia. Seu dois primeiros livros estäo tb disponíveis em português e mostram, além da clareza e competência do autor, um fino senso de humor. E apesar de sua autoridade assombrosa, era conhecido pela sua simplicidade no trato com as pessoas. Nada de chiliques de divas, täo freqüentes nesse meio.

    Sua morte interrompeu um projeto notável: a segunda gravacäo completa das sinfonias de Beethoven, desta vez com o Concentus Musicus de Viena. Escutando p.ex. o último movimento da Quarta, näo se pode imaginar que o regente tem mais de 80 anos… abs

  4. Roberto
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    Maravilhoso.
    Tenho apenas um CD deste maestro, das Aberturas de Beethoven. Interpreteçáo absolutamente sublime.

  5. Flávio J. Morsch
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    Parabéns, Fred, pela tempestiva e lúcida homenagem. Pioneiro das performances HIP, da Música Antiga e dos Instrumentos de Época, Harnoncourt nao foi um radical e mostrou que ser historicamente informado não é sinônimo de usar instrumentos originais, mas também observar os estilos de interpretação, seja qual for o instrumento. Ele gravou com a Concertgebouw o ciclo de Bruckner.
    Comparando o Requiem e Batallia de Biber sob J. Savall com as interpretações de Harnoncourt , vejo superioridade no ilustre finado. A trilogia de óperas de Monteverdi nos desconcerta pela excelência dos cantores , de Ponelle e do regente; ela será antológica daqui a um século!

  6. Alexsandro Alves
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    Que descanse em paz.
    Eu o amava.

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