Dvorák: Vodník (“O Espírito das Águas”) Op. 107

Começamos hoje a analisar o primeiro poema sinfônico de Dvorák: o “Espírito das Águas” (Vodník em tcheco, e comumente traduzido por The Water Goblin em inglês), de 1896. Como vimos na introdução a essa série de análises, os quatro primeiros poemas sinfônicos de Dvorák são inspirados em lendas individuais narradas pela Kytice, uma clássica antologia de lendas nacionais recontadas e versificadas por Karol Jaromír Erben em 1853.

O ator Jirí Pecha interpreta o Espírito das Águas no filme “Hell with Princess” de Milos Smídmajer

O Espírito das Águas é o mito eslavo de uma criatura com o corpo verde, coberto por algas, responsável por afogamentos em lagos e rios: com interesse malévolo, ele prende as almas das vítimas em porcelanas no fundo das águas, colecionando-as e lhes conferindo grande valor. Na ópera Rusalka de Dvorák, escrita cinco anos depois, encontraremos novamente o mundo do espírito das águas, onde Rusalka é sua filha que deseja se tornar humana.

Com base no poema de Erben e na breve carta de Dvorák para o Dr. Robert Hirschfeld, deixaremos que a própria música nos conte a estória do Espírito das Águas, adiantando apenas que, musicalmente, a obra se estrutura como um grande rondó (um tema principal que se alterna com temas secundários), ainda que todos os temas sejam como que mutações do tema principal.

O Espírito das Águas

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 01. The Water Goblin Theme (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

A música começa nos apresentando o Espírito das Águas, que está sentado sobre o tronco de uma árvore diante de um lago, costurando seu velho casaco verde e suas botas vermelhas, e cantando para a lua sobre seu casamento no dia seguinte. Casamento? Sim: ainda não há uma noiva, mas ele está seguro a respeito de uma moça local. O tema em Si menor do Espírito das Águas, com todo o ar de tema protagonista em sua longa exposição, dominará a música inteira, tanto como fundo onipresente da ação como para a própria construção dos temas subsidiários. Notem como esse motivo de traquejo meio diabólico, em ritmo 2/4, é simples e consegue montar a música apenas se repetindo em diferentes alturas:

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 00. The Water Goblin Motive (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Essas primeiras três notas repetidas que dão o apoio do tema serão a base de toda a música.

A filha

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 02. The Daughter Theme (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Na manhã seguinte, conhecemos a tal moça e sua mãe. Depois de uma transição de três notas repetidas pela trompa, o tema da filha surge em Si maior, inocente, um tanto idílico e pastoral, construído sobre o apoio de três notas repetidas, tal como o tema do Espírito das Águas. O triângulo marca o meio e o fim das frases, dando o brilho dos olhos da filha.

A mãe

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 03. The Mother Theme (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Então a mãe começa uma conversa séria: na última noite, ela sonhou que vestia a filha em trajes brancos, marolejantes como as espumas das águas, e que lhe dava um colar de pérolas, brilhantes como as lágrimas mais duramente contidas. Entendendo o sonho como um mau presságio, ela alerta a filha: “Não desça ao lago hoje!”, pois era o lugar onde a filha lavava as roupas. Depois de uma transição de notas repetidas pela flauta, o tema da mãe é o tema da filha, só que em Si menor! A segunda parte do tema traz algumas apogiaturas realmente assustadoras nos baixos, simbolizando o medo que a conversa da mãe inspira com o seu mau pressentimento.

…Mas é claro que a filha não dá bola e vai ao lago. Ouvimos o tema da filha novamente, com a mesma inocência persistente:

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 04. The Daughter Theme (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Ao mesmo tempo em que ouvimos o tema da filha, o tímpano toca exatamente a figura rítmica do tema do Espírito das Águas ao fundo, o que não é bom sinal…

O lago

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 05. Cadence (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

…até que uma cadência incompleta tocada pelo oboé e pelo clarinete deixa algo estranho no ar…

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 06. Drowning (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

A ponte de onde a menina lavava as roupas se parte! Ouvimos a primeira inversão de um acorde de dó maior que dá com clareza o momento da queda na água (um verdadeiro “splash!”). O motivo do Espírito das Águas se torna dominante, escalas descendentes de tons inteiros apontam claramente para baixo, descrevendo um afogamento, e a música se torna agitada e instável, simbolizando a luta entre a filha e o Espírito das Águas que a prende e a puxa pra baixo.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 07. The Water Goblin & The Daughter Themes (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

E então ouvimos o tema do Espírito das Águas novamente, em seu deleite diabólico por ter prendido mais uma vítima, e a mais especial delas: aquela que ele pretende tomar por esposa. Algo muito sutil acontece musicalmente: o tema do Espírito das Águas é tocado ao mesmo tempo em que o tema da filha! Este soa adaptado àquele, também em Si menor, simbolizando quem foi que prevaleceu…

Debaixo d’água

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 08. Transition (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Uma transição nos faz mudar completamente de ambiente…

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 09. The Underwater Theme I (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Ilustração do Espírito das Águas de 1918

Estamos debaixo d’água, onde tudo é escuro e triste. Se o tema do Espírito das Águas era praticamente apenas um ritmo, o tema do mundo subaquático é apenas o desenvolvimento de uma melodia mais cantabile. Já a sua segunda parte é a citação literal do tema do Espírito das Águas, que ouvimos com clareza em pizzicatti pelas cordas.

E aqui confirmamos o talento orquestrador de Dvorák: depois de ouvirmos o tema subaquático ser exposto uma vez, ele é exposto de novo:

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 10. The Underwater Theme II (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

…tomando maior parte da orquestra, com o tremolo das cordas como acompanhamento da primeira parte, e a citação do tema do Espírito das Águas na segunda parte afirmando a sua soberania nesse reino. E então o tema é exposto uma terceira vez:

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 11. The Underwater Theme III (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

O que se passa? A filha foi aprisionada e forçada a se casar com o Espírito das Águas, com direito a peixes como padrinhos e tudo. Lá, eles têm um filho. Depois dessa evolução do tema subaquático sendo tomado cada vez mais pela orquestra, sua terceira aparição, ainda que mantendo o tom misterioso, toma as cordas e assume um ar lírico e romântico! É o par assumindo um filho em meio a esse cativeiro sombrio, com a citação do tema do Espírito das Águas terminando ainda mais soberano. Cada uma das três vezes em que o tema foi exposto, ele soou diferente e mais completo apenas pela mudança de arranjo na orquestra.

A canção de ninar

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 12. Lullaby (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Passam-se os dias, e a filha cuida da criança que teve com o Espírito das Águas. Sobre citações onipresentes do ritmo básico do Espírito das Águas, ouvimos o oboé entoar a canção de ninar que a filha canta para a criança: por três vezes, sobre três modulações, ouvimos o tema do seu lamento, do quanto ela se sente infeliz presa sob as águas, o quanto preferia estar morta a ser rainha ao lado do Espírito das Águas, mas que a sua única alegria (e então a música assume um ar otimista) é aquela criança.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 13. The Angry Water Goblin Theme (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

O Espírito das Águas mostra ser bastante ranzinza, pois fica irritado com aquela cantoria e pede pra ela parar. Ouvimos o tema do Espírito das Águas num tom afirmativo e intimidador.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 14. The Water Goblin & The Daughter Duet (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

E então surge uma discussão: a bronca enfezada e as ameaças do Espírito das Águas, e as desculpas da filha, que aproveita e lhe diz que sente muitas saudades da mãe, e que gostaria muito de poder voltar a vê-la pelo menos mais uma vez! Ouvimos na música um dueto: uma primeira parte resistente, em que o motivo do Espírito das Águas aparece apontando claramente para baixo, em tom de negativa, e uma segunda parte em que o mesmo oboé que cantava a canção de ninar canta um motivo suplicante e carinhoso, sobre um acompanhamento dócil das cordas, representando o pedido da filha.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 15. Persuasion (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

O convencimento vai se dando aos poucos, e ouvimos uma escala das cordas que vai subindo, modulando, tal qual uma vocalise, e o Espírito das Águas se convence! A música exulta de alegria, sempre se montando sobre o motivo musical básico do Espírito das Águas.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 16. Conditions (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Mas peraí! O Espírito das Águas impõe algumas condições…: em terra, ela não poderá abraçar ninguém, nem mesmo a mãe! A criança vai ficar com ele! E até o badalar das oito horas ela vai ter que voltar! E essa é a palavra do Espírito das Águas! A música se torna violentamente afirmativa, e ouvimos o tema da canção de ninar da filha saindo de fininho, discreto nos sopros, saindo das águas e indo em direção à casa da mãe.

O reencontro

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 17. The Daughter Theme (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

O reencontro é descrito por uma cena liiinda: é o velho tema da filha sendo reexposto, só que agora num coral tocado pelas cordas. É a acolhida carinhosa da mãe. Ouvimos cada um dos sopros respondendo ao fim das frases, representando a filha chorando com a mãe.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 18. Thunder (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Foi tudo muito bonito, mas logo elas ouvem alguns trovões vindos da direção do lago…

A hora está chegando…

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 19. Agitation – Time is coming (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

A agitação se instaura, o tempo está chegando! Ouvimos o tema onipresente do Espírito das Águas, que mais uma vez domina a cena mesmo sem que ele esteja presente. A chegada da hora aparece em um grande crescendo da orquestra e o tema do Espírito das Águas ganhando evidência nas cordas.

A hora chegou!

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 20. Clock (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

E então o badalar do relógio dá a hora, e o cuco vem apitar as oito horas estipuladas como limite pelo Espírito das Águas (não por acaso, precisamente com oito apitadas).

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 21. Knocking I (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Logo ele bate à porta! Três seqüências de três batidas fortes, nervosas, reivindicando a filha, dizendo que o seu jantar precisa ser feito! A mãe, que está decidida a não deixá-lo entrar nem deixar a filha ir embora, responde que ele vá comer o que tiver no lago! O tema da resposta da mãe é o mesmo tema que ouvimos quando a filha exultou ao convencer o Espírito das Águas a sair do lago pra visitá-la.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 22. Knocking II (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Ele bate mais três seqüências de três batidas ainda mais fortes. Diz que a sua cama precisa ser feita! Novamente a mãe responde, corajosa, dizendo que ele as deixa em paz e que arrume a própria cama! E ouvimos o mesmo padrão anterior.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 23. Knocking III (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Então ele bate mais vezes, diz que a criança está em casa chorando e com fome! A filha fica agitada ao saber da criança, e então a mãe pede que ele traga a criança pra elas! Ouvimos a música aumentar em tensão, o Espírito das Águas traz a criança até a porta, e um som horrível é ouvido do lado de fora! O silêncio segue o suspense… A mãe abre a porta, e encontra o corpo da criança separado da cabeça no chão! Se ouvirmos novamente o som final da discussão, percebemos claramente o golpe e o rolar da cabeça:

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 24. Killing the child (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

Epílogo

John Frederick Kensett (1816-1872): Lake George (1860)

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 25. Frogs (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

O Espírito das Águas desaparece pra nunca mais ser visto, o seu ritmo elementar ainda soa no lago, e os sapos coaxam uma espécie de epílogo à estória.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 26. Mourning (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

O oboé, que vinha representando a filha, reaparece expressando a sua tristeza.

Dvorák – The Water Goblin Op. 107 – 27. End (Rafael Kubelik – Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks – 1974):

E o terror moralizante da estória se dissipa com a desconstrução do motivo do Espírito das Águas, com direito a reticências desenhadas com o seu motivo básico pelos tímpanos no final da música.

Este post pertence à série:
1. Dvorák: Introdução aos Poemas Sinfônicos
2. Dvorák: Vodník (“O Espírito das Águas”) Op. 107
3. Dvorák: Polednice (“A Bruxa do Meio-Dia”) Op. 108
4. Dvorák: Zlatý kolovrat (“A Roca de Ouro”) Op. 109
5. Dvorák: Holoubek (“A Pomba do Bosque”) Op. 110
6. Dvorák: Písen bohatýrská (“Canção de um Herói”) Op. 111

19 Respostas

  1. Amancio Cueto Jr.
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    De longe, é meu poema sinfônico preferido de Dvorak. Obrigado por elucidar os detalhes da história, que eu conhecia apenas por cima!

  2. Daniel
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    Olá, Leonardo!

    Gostaria de parabenizá-lo por esta excelente iniciativa. Confesso que depois de acompanhar o desenrolar da estória através do blog compreendi bem melhor a obra do Dvorák e passei a gostar mais dela.
    Estou pensando até em comprar um CD com estes poemas sinfônicos!

    Um abraço!

  3. Leonardo T. Oliveira
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    Oi, Daniel! Que legal! Existe um álbum da Deutsche Grammophon que traz esses poemas sinfônicos + as danças eslavas + as aberturas dele, e é o que mais vale a pena. Até citei esse álbum no ítem quatro daqui: http://euterpe.blog.br/interpretacao-e-interpretes/selecao-das-onze-leonardo-f-c. Só não traz a “Canção de um Herói”, que o Kubelík não gravou, mas em compensação traz um conjunto de variações pra orquestra que é muito bonito.

    Um abraço!

  4. André Fadel
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    Então é isso que os ex-allegronautas ficam fazendo nas horas vagas, hein… parabéns pelo site!! E ótima a escolha; confesso que não sou muito fã de Dvorak, mas este poema sinfônico é uma verdadeira aula. Obrigado, e abraços!

  5. Taglar Dudus
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    Olá Leonardo!
    Congratulações por essa iniciativa de fornecer mais informações para nós que somos apenas melômanos e não musicistas, como você,e assim podemos apreciar melhor a nossa escuta!

    Continue assim…

    É isso!

    Abraço, saúde e muita música erudita!

  6. Daniel
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    Leonardo,

    Acabei comprando um CD da CHANDOS com todos os poemas sinfônicos (inclusive com um outro: o Op. 62!). Ouvi, por enquanto, o “Espírito das Águas” e gostei bastante da interpretação de Neémi Järvi à frente da Royal Scottish National Orchestra. Eu recomendo.

    Abraços!

  7. Ludwig van Winkle
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    Leonardo, urge você conhecer a Sinfonia “Asrael”, de Josef Suk (pai do violinista homônimo e genro de Dvorák). É uma espécie de meio-caminho entre “O espírito das águas” e a Sinfonia “Ressurreição” de Mahler. Suk rulez!

  8. Leonardo T. Oliveira
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    André e Taglar, obrigado pelos comentários!

    Daniel, eu já cheguei a ouvir o Järvi justamente no Espírito das Águas. Está em boas mãos! Já discuti a respeito desse Op. 62 nada menos do que no artigo do Dvorák na WikiPedia em inglês, e há quem o deixe de lado da contagem de poemas sinfônicos por algum motivo, como se não houvesse um programa específico pra ele, etc. Ouça aí e depois conte pra gente!

    Opa, Ludwig, vou procurar conferir a sua sugestão. O único Josef Suk que eu conhecia, inclusive em um áudio antiqüíssimo interpretando justamente o Dvorák, era o filho. Obrigado pela sugestão!

    Abraços!

  9. Leonardo T. Oliveira
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    Uma versão bastante romantizada – mesmo adulterada – da lenda do Vodník está no filme “Kytice” dirigido por Františka A. Brabce, e pode ser vista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=UFQlhQjWKDI.

  10. Leonardo T. Oliveira
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    Daniel, só agora vi que o Op. 62 que você mencionou e que vem na gravação do Järvi é a abertura “Meu Lar” (ou “Minha Pátria”, puxando a tradução para o lado do Smetana). Essa eu conheço e apenas não a incluí na lista porque ela é tecnicamente uma abertura, não um poema sinfônico. Foi inclusive estreada com esse espírito e obedece a uma forma-sonata tradicional no gênero. O “poema sinfônico” apendicítico do ciclo de Dvorák a que eu me referia é o obscuro Op. 14, também referido como “Rapsódia”. Desse se fala muito pouco e mal se sabe se realmente tem um programa específico ou apenas uma inspiração mais diluída no espírito de uma rapsódia.

  11. Paolo Ucello
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    Leonardo, você teria condições de esclarecer-me por que motivo Maurice Ravel não orquestrou todos os movimentos de “Le Tombeau de Couperin”, uma obra-prima inconteste…agradeço antecipadamente.

  12. Leonardo T. Oliveira
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    Olá, Paolo Ucello. A Gaspard de la Nuit também é das poucas que não foram orquestradas, e o motivo mais à mão sugerido é que seriam obras muito “pianísticas”, muito pensadas especialmente para o piano por Ravel. Seria inclusive muito interessante identificar o que torna essas peças assim, mas dá pra pensar em exemplos: quando tentam orquestrar Chopin, por exemplo, seja por demérito da orquestração ou não, no mais das vezes o resultado é bem menos interessante e mesmo brega! Não é difícil imaginar que haja casos em que a determinação do instrumento pra uma peça seja significativa o bastante pra não ser mudada sem prejuízos.

    Um abraço!

  13. Emerson Coelho
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    ótima análise, Leonardo.
    O tema dessa poema é belíssimo.
    À propósito, vai fazer um ano que você começou essa série, e acho que você poderia comemorar postanto mais um poema analisado. (risos)
    Grande abraço.

  14. Emerson Coelho
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    Ah! no final você deveria postar o poema todo pra gente ouvir sem pausa.
    Desde já obrigado.

  15. Leonardo T. Oliveira
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    Haha, é verdade! Depois de um ano essa série tem que ser continuada logo. O próximo poema sinfônico é o mais longo e não temos nenhuma indicação (sequer geral, como nos dois primeiros casos) de qual parte da música retrata qual parte da estória. Mas é uma narrativa relativamente simples, tem que ser colocada nas prioridades de próximos posts.

    Sobre os poemas da Kytice do Erben, o problema é que sequer uma tradução em inglês já foi publicada! Susan Reynolds, curadora de literatura tcheca e eslovaca da British Library, parece ter feito uma tradução integral e mostra e comenta alguns trechos nesta entrevista aqui. Mas desde então nada desse tal livro sair! O que há, por enquanto, são só os poemas no original em tcheco, conforme o link que até tenho deixado em cada post quando menciono o título do poema. A obra completa em tcheco está aqui, na WikiSource tcheca, o que pode ser um deleite pra linguistas aventureiros por formação como o Bruno Gripp e eu, mas não serve muito ao interesse prático do post.

    Acabo de ler direito o seu comentário. Você fala sobre deixar a música inteira no final pra ser ouvida sem interrupções. É verdade, seria conveniente – como o Amancio tem feito em análises que ele faz. O arquivo neste caso seria grande e esses playerzinhos às vezes têm mau humor junto ao servidor, mas vou tentar! Valeu a sugestão!

    Abraço e obrigado pela lembrança!

  16. Amancio Cueto Jr.
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    Leonardo, se o arquivo for muito grande para o player, aí vai a sugestão: videos do Youtube! Pode ser só o link, acho que não tem problema, quem tiver interesse vai lá e ouve.

  17. Ana
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    Maravilhosa iniciativa!
    Obrigada por esse blog e por esse post

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