Palestra: “Quando a música fala: o conteúdo da forma na música clássica”

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Cena do filme Inferno (1980), de Dario Argento: uma curiosa epifania durante uma audição musical

Você já foi assistir a uma orquestra sinfônica e durante o concerto só ficou pensando no que ia fazer assim que chegasse em casa? Em quantas vezes iria ao banco durante a semana? Em como estaria a sua vida dali a dez anos? No final, não soube sequer dizer o que achou do que ouviu?

A experiência se parece mais com TOMAR BANHO do que com assistir a um filme ou uma peça de teatro?

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO, e isso tem razão de ser.

Muitos guias de música clássica insistem em história, em anedotas, em subjetividade profunda, mas perdem de vista essa coisa prosaica que é a capacidade de ouvir a música FALAR conosco.

Nesta quinta-feira, dia 19 de maio de 2016, às 20h, vou falar no salão da Paróquia Santa Generosa, em São Paulo, sobre algumas formas básicas de como a música clássica pode FALAR com qualquer ouvinte interessado. Os detalhes do evento podem ser vistos clicando aqui. Entrada gratuita!

A quem estiver distante, haverá transmissão ao vivo no YouTube aqui. E depois de algumas semanas uma gravação de melhor qualidade será postada no mesmo canal e neste mesmo post aqui embaixo.

A palestra fará parte do 2º Ciclo de Palestras Santa Generosa, organizado por Rodrigo Gurgel, a quem muitíssimo agradeço desde já pelo convite. Mais informações sobre as palestras, clicando aqui.

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Vídeo da transmissão ao vivo:

9 Respostas

  1. Bosco
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    Leo,

    Ótima iniciativa e muito agradável sua apresentação. Você conseguiu iniciar um assunto dificílimo: ouvir música. Ouvir com a interferência dos outros sentidos, da agitação dos nossos dias. Mesmo para ouvintes experientes, uma sinfonia longa acaba fragmentada na memória. Pior ainda para uma pessoa de ouvido duro. Mas que treinamento precisamos para ouvir Bartok? Ou reformulando a pergunta: precisamos de treinamento? “Ouvidos apaixonados”, bela sacada. Eu fiquei entusiasmado pela opus 111 de Beethoven através de Mann. Para chegar a Wagner, que primeiramente me causava repulsa, fui pelas bordas (Bruckner e Mahler). O ouvido fica atento quando a propaganda é boa. Numa das intervenções de sua palestra, lembrei de como é importante uma memória auditiva (mesmo que pequena) na infância, seja através de filmes ou audições esporádicas dos clássicos. Assim como na música, aprender a ler muito tarde dificulta a intimidade com os clássicos.

  2. Ana Carolina
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    Muito boa, Leonardo. Parabéns! Mais didática, impossível.

  3. flávio j. morsch
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    Além do desprendimento “sacerdotal” de Leonardo, o que achei mais interessante foi: Mais uma vez fica claro que, em nosso país, a música clássica, ou “perene”, precisa ser adjetivada. Se dissermos ,na wikipedia, que Schubert foi um “compositor austríaco”, perguntarão qual samba-enredo ele compôs. Então, somente aqui, devemos escrever “compositor clássico”, ou “erudito”. Já um sambista figura como compositor, sem rótulos. No Brasil, o transitório é clássico e o classico é esdrúxulo.
    Bem, Sao Paulo tem 15 milhões de hab.,e, por capricho estatístico, deve portar 15 mil esquisitos, assim como a China pode acumular um milhão de pianistas. Mas, no interior de Pindorama, a gente tem vergonha de erudição, o que se agravou com a cultura lulista, que se orgulha da ignorância. Outro dia, um amigo me falou “homem que é homem não gosta de ópera e destes lixos”. Perguntei o que ele apreciava e ouvi :” qualquer coisa boa que faça sucesso, um novo pagode talvez”.Obviamente ,nao discuti…
    Nem menciono Alemanha, mas penso que a Inglaterra nao fala em música clássica como se estivesse se desculpando pela impopularidade. Não me refiro a Leonardo. Clássicos são arrogantes? Arrogante é o HipHop, o Carnaval, os sertanejos, o Futebol! Pisamos em ovos para falar em erudição; seria porque “ela não se refere à nossa realidade atual”? Acaso as letras e artes clássicas tratavam exatamente do presente sem viajar a outros cumes? Acaso a literatura precisa se limitar a Paulo Coelho ou a “50 Tons de Cinza”?
    Ouso discordar veemente: a erudição exige disciplina e esforço. Depois disto, pode se confundir com entretenimento. Não podemos horizontalizar tudo, sob pena de fazer uma cultura pedestre. Todavia, o que testemunhamos, mesmo na Pauliceia, é a arrogante ditadura da eurofobia, porque a cultura clássica seria coisa da “elite branca machista”.
    Assim, falamos em Beethoven cheios de cuidados políticos. Hoje, às 12 horas, assisti ,na TV Cultura, a 4 jovens instrumentistas na disputa de uma Bolsa em Budapeste. O momento do churrasco dominical não podia ser horário menos nobre. Nem tudo está perdido, porém, os jovens e os velhos precisam competir com a massa ruminante. Nem por isso devemos nos dobrar, penso eu.
    Procuramos mesuras e chamariscos doces para aliciar mais acólitos. Não sei se isto é pragmatismo, ou sabedoria, ou populismo, ou tibieza, ou desconstrução.

  4. Frederico Toscano
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    Parabéns, Leo!
    Como sempre, falou com competência, experiência e segurança no tema.
    Fomos muito bem representados na sua palestra.
    Abraços.

  5. Lucas Cardeal
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    Primeiramente, parabéns pela palestra. Foi excelente! Assisti presencialmente no dia e depois revi o youtube. Foi fantástico.
    Bom, eu me interessei e resolvi estudar um pouquinho mais sobre o tema. Gostaria de perguntar se o vídeo apresentado onde é feita uma análise da forma da Sinfonia nº 5 do Beethoven está disponibilizado online.
    Muito obrigado!

  6. Julio
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    Amo música.

  7. Jader Lucas
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    Olá, encontrei esse blog e estou gostando muito. Esse projeto tem continuidade? Abraços e sucesso.

  8. Amancio Cueto Jr.
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    Olá Lucas Cardeal,

    Infelizmenteo vídeo da 5a de Beethoven ainda não está disponível; era só uma palhinha de um post que está para vir ao ar nos próximos meses.

    Olá Jader Lucas!

    Estou trabalhando nas últimas semanas para publicar (logo!) a segunda parte da série sobre Dvorák (essa aqui: http://euterpe.blog.br/analise-de-obra/dvorak-no-novo-mundo-parte-i ). A parte do Quarteto Americano está pronta, estou apenas concluindo o vídeo do Quinteto Op.97. Questão de dias…

  9. F. S. Monteiro
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    Enquanto isso, numa longínqua republiqueta, o novo (aliás: velho, muuuito velho) desgoverno local houve por bem declarar as Artes e a Educação Física – e quiçá também a Filosofia, ninguém sabe ao certo – como optativas (em português: supérfluo) no chamado ensino médio do país. Poderíamos perguntar que bicho mordeu o infeliz acometido por ideia tão absurda, que traz consequências gravíssimas à já miserável situação cultural e esportiva do povo de lá.

    Mas não vale a pena, trata-se apenas de mais uma tentativa de tapar o sol com a peneira: professores custam dinheiro, aposentam-se cedo e ainda costumam votar, em parte considerável, em partidos desagradáveis. Então reforme-se a Educação reduzindo-se o número deles.

    Antes que alguém transforme minha indignação cultural em bate-boca ideológico, apresso-me a informar que não sou um admirador do desgoverno anterior. Mas tampouco faço parte daqueles que preferem ser roubados pela direita do que pela esquerda. Apenas acredito que aquele povo tão sofrido mereceria assisitir a um filme melhor do que “Ali Babá e os 40 Ladrões”, seguido por “Os Três Patetas”.

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