Minha homenagem a Claudio Abbado

Claudio Abbado (1933-2014)
Claudio Abbado (1933-2014)

Gente, antes de mais nada, devo dizer que escrevi este texto às pressas, chocado com a recente notícia do falecimento do grande maestro Claudio Abbado. Normalmente eu levo dias, às vezes meses, escovando um texto para o blog; este aqui saiu no calor da emoção. Por isso, perdoem-me pelas imprecisões e pelo amadorismo das opiniões.

Mas, já vou avisando: não esperem ler aqui um obituário ao estilo wikipediano. Quem quiser saber quem foi Claudio Abbado, onde ele nasceu, com quem estudou, que orquestras regeu, etc, leia o artigo de João Luiz Sampaio no Estadão ou o próprio Wikipedia. Para saber por que ele foi importante para a música clássica e que legado ele deixou, dêem uma olhada no post do Osvaldo Colarusso. Aqui em Euterpe vou abrir meu coração e falar da minha “relação pessoal”, enquanto melômano e fã, com alguém que é apenas um nome na minha estante de CDs.

Não só nome, mas foto também...
Não só nome, mas foto também…

Bem, quando iniciei nesse mundo da música clássica, os regentes eram somente um nome presente nos créditos, tal qual o nome do iluminador no último filme do Batman, o… aquele um, lembra dele? De início, todos nós só nos importamos com aqueles nomes maiores da capa: “Beethoven”, “Mozart”, “Rigoletto”, “Carmen”. Levei algum tempo até entender qual a diferença entre ouvir a mesma Nona Sinfonia de Beethoven com o regente A ou o regente B. Passada essa fase, alguns nomes começaram a se destacar pela frequência com que apareciam: Karajan, Domingo, Arrau, Kubelik… Mas realmente levei muito, muito tempo até conseguir identificar as características que uma música ganhava ao ser interpretada por este ou aquele músico. Hoje, por exemplo, eu sei que, se encontrar alguma gravação com o Leonard Bernstein, posso esperar que a música será bastante dinâmica e empolgante…

Mahler: Das Lied von der Erde – 4. Von der Schönheit (Bernstein – Fischer-Dieskau – VPO 1966):

… enquanto que a mesma música com o Otto Klemperer soará mais metódica e racional, mas não menos emocionante…

Mahler: Das Lied von der Erde – 4. Von der Schönheit (Klemperer – Ludwig – Philharmonia 1967):

… e com o Pierre Boulez, mais impessoal, controlada e distante:

Mahler: Das Lied von der Erde – 4. Von der Schönheit (Boulez – Urmana – VPO 1999):

Às vezes eu erro, mas por vezes as surpresas se revelam gratas surpresas. E é assim que, na prática, fui lentamente identificando e valorizando o nome dos intérpretes, separando os que fazem um bom trabalho daqueles que fazem história. Foi assim que eu comecei a valorizar o nome “Claudio Abbado” na capa dos CDs.

As primeiras gravações que conheci dele não me empolgaram. São interpretações corretas, sem exageros, tudo dentro dos conformes. “Normais”, diria um melômano. Como este Alborada del Gracioso de Ravel, com o Abbado…

Ravel: Alborada del gracioso (Abbado – LSO 1987):

Mas então você ouve o mesmo Alborada del Gracioso com o Seiji Ozawa…

Ravel: Alborada del gracioso (Ozawa – Boston SO 1975):

e… o que dizer? Meus ouvidos gostaram mais do Ozawa, e os seus?

Mas a cada nova gravação que eu conhecia, o Abbado foi me conquistando aos poucos e pela sua atenção aos detalhes. Aqui, a gravação que eu tinha antes da Sinfonia Italiana de Mendelssohn com o André Previn:

Mendelssohn: Sinfonia n.4 Op.90 “Sinfonia Italiana” – 1. Allegro vivace (Previn – LSO 1979):

Tudo certo, bonitinho e nos seus devidos lugares, correto? Agora ouça o que o Abbado faz com a mesma música (e com a mesma orquestra também, a Sinfônica de Londres):

Mendelssohn: Sinfonia n.4 Op.90 “Sinfonia Italiana” – 1. Allegro vivace (Abbado – LSO 1984):

Não é uma graça? Reparou a delicadeza da frase aos 8 segundos do trecho, não é apaixonante? Foi aí que o Abbado começou a fazer história na minha estante. E a Terceira Sinfonia de Brahms, que para mim soava solene e dramática na direção de Leonard Bernstein…

Brahms: Sinfonia n.3 Op.90 – 4. Allegro (Bernstein – VPO 1983):

… passou a soar VISCERAL com o Abbado. O que eu quero dizer com isso? Sinta aí:

Brahms: Sinfonia n.3 Op.90 – 4. Allegro (Abbado – BPO 1989):

Não sei você, mas ouvindo isso meu coração acelera, o sangue ferve e parece correr pelas veias a tal ponto de me causar vertigens. Pode ser coisa só minha, mas isso não soa enlouquecedor, de embrulhar o estômago e passar mal de tão lindo? O Adriano do Ilha Quadrada diria que é de botar fogo na roupa e sair correndo: é bem isso mesmo!

Falando de Abbado, não há como não destacar sua série de gravações das obras de Mahler. Quem conhece o compositor sabe identificar suas características: harmonia complexa, orquestração exuberante e muito contraponto. Agora imagine o que Mahler é capaz de fazer com uma orquestra e coro gigantes como a da foto abaixo:

Leopold Stokowski na estréia americana da Sinfonia n.8 de Mahler, com a Philadelphia Orchestra, 1916
Leopold Stokowski na estréia americana da Sinfonia n.8 de Mahler, com a Philadelphia Orchestra, 1916

No final da primeira parte da Oitava Sinfonia de Mahler (também conhecida popularmente como Sinfonia dos Mil Executantes), Leonard Bernstein deixou a emoção correr solta, ouça:

Mahler: Sinfonia n.8 – final da primeira parte (Bernstein – WPO 1975):

Já Klaus Tennstedt se segurou um pouco e levou o final à mão firme. Ouça esse belíssimo registro:

Mahler: Sinfonia n.8 – final da primeira parte (Tennstedt – LPO 1986):

Claudio Abbado, quando foi gravar essa sinfonia, ficou na frente dessa multidão aí e não se apavorou; pelo contrário, deve ter dito “calma galera, não se empolguem tanto, vamos nos ouvir uns aos outros”:

Mahler: Sinfonia n.8 – final da primeira parte (Abbado – BPO 1994):

O resultado é essa textura claríssima, apesar da quantidade enorme de gente cantando e tocando ao mesmo tempo. De repente sorrimos maravilhados em ouvir alguma melodia que estava desaparecida, soterrada por outras vozes em outras gravações.

Na música moderna, Abbado também deixou sua marca, transformando texturas aparentemente caóticas em sonoridades compreensíveis até para ouvidos não acostumados a dissonâncias. Nesse sentido, sua gravação de Wozzeck, de Alban Berg, tem me supreeendido muito nesses últimos meses. Para não fugir às comparações auditivas, dêem uma olhada nesse trecho do final da cena da taverna (ato 2 cena 4), aqui com o mestre Karl Böhm e um dos maiores barítonos da história, Dietrich Fischer-Dieskau

Berg: Wozzeck – Ato II final da cena 4 – (Böhm – Fischer-Dieskau – Deutschen Opernhauses Berlin 1965):

… e comparem com a leitura sempre claríssima de Claudio Abbado:

Berg: Wozzeck – Ato II final da cena 4 – (Abbado – Grundheber – WPO 1987):

Por fim, encerro este post com o próprio maestro em ação. É um trailer, com alguns momentos de sua gravação da Nona Sinfonia de Mahler à frente da Orquestra do Festival de Lucerne.

E é por isso que Claudio Abbado (1933-2014), o regente que faleceu hoje de manhã, fará muita falta para nós, amantes da música clássica. Descanse em paz, maestro, e obrigado pelo belíssimo trabalho que você realizou aqui conosco.

17 Respostas

  1. O Adriano do Ilha Quadrada
    |

    Lembro claramente da cena: eu e o Amancio comparando os finais da Parte I da Oitava de Mahler gravados pelo Bernstein e pelo Abbado, numas caixas-de-som pretas e imensas ligadas ao meu computador.

    A gravação do Lenny é assustadora (tipo “COMO ASSIM?”), mas a do Abbado é milagrosa (tipo “ASSIM QUE TEM QUE SER”).

    #RIPAbbado

  2. pietro tri
    |

    Realmente emocionante, uma perda irreparável!! Sou apaixonado pela sua gravação das sinfonias de brahms, a 9 sinfonia do mahler (o que é aquele finale?!), e o concerto de violino do berg, lançado ha poucos anos pela harmonia mundi. Um dos melhores posts de um dos melhores blogs, continuem assim!!

  3. O Adriano do Ilha Quadrada
    |

    Amancio, o Tom Service do Guardian confirmou suas suspeitas:

    “The Lucerne project was the zenith of a life in music that had as its essential credo a word that you don’t always associate with conductors, those supposed tyrants of the podium: “listen”. He used that word more than any other in the rehearsals I saw him lead with the orchestra, a hand-picked ensemble of some of the greatest chamber musicians, orchestral players, and soloists in the world, with the young musicians of the Mahler Chamber Orchestra at its core (another orchestra Abbado founded, in addition to the European Union Youth Orchestra, the Gustav Mahler Jugendorchester, and Orchestra Mozart). The message of listening was about encouraging every player in the huge ensemble needed to play Mahler’s symphonies to listen to one another, to know the score as well as he did.”

    http://www.theguardian.com/music/tomserviceblog/2014/jan/20/claudio-abbado-lucerne-festival-orchestra-tom-service

  4. Laura
    |

    Grazie pelo texto, Amancio.

  5. Leonardo T. Oliveira
    |

    Amancio,

    Parabéns por escrever um texto que, deixando para outros canais o desarrolar de um currículo que pra muitas pessoas, por mais respeitoso que seja, não diz nada, deu o testemunho valioso de um ouvinte sincero com uma relação de muitos anos com o trabalho do Claudio Abbado. Aposto alto nesse tipo de sensibilidade e fico muito feliz de vê-la sendo praticada.

    Da minha parte, quero citar que é dele a minha gravação favorita da Flauta Mágica! Trata-se de um imenso feito de equilíbrio, clareza, mas sempre de muito entusiasmo também.

    Em Rossini, lembro que o Bruno até elegeu a sua gravação da Cenerentola entre os seus álbuns favoritos aqui: http://euterpe.blog.br/interpretacao-e-interpretes/brunominhas-onze-gravacoes-preferidas.

    E Abbado também se dá muitíssimo bem em Bach (aquele vídeo recente muito empolgante dos Concertos de Brandemburgo), Mozart (o Serkin gravou os concertos para piano com ele!), Beethoven (gravou de tudo pra integral da DG, e foi com ele que Pollini gravou os concertos para piano), Schubert, Mendelssohn (tem a obra orquestral, e o Milstein gravou o concerto para violino com ele!), Brahms, Mahler, Ravel, Debussy (a obra orquestral e um lindíssimo Pelléas et Mélisande), Bartók (O Mandarim Miraculoso!) e o famoso Wozzeck do Berg. São todas coisas que, mesmo pertencendo ao repertório padrão, conseguem heroicamente valer muitíssimo a pena conhecer.

  6. F. S. Monteiro
    |

    Trechos de uma entrevista em um jornal alemão com Claudio Abbado, ao completar 80 anos, em junho passado:

    “Pra mim, a música não tem nada a ver com trabalho. É uma paixão, grande e profunda. Tenho a felicidade de poder compartilhar essa paixão com músicos fabulosos no mundo inteiro.”

    “Quando eu tinha sete anos, escutei no Scala de Milão pela primeira vez os ‘Nocturnes’ de Debussy. Antonio Guarnieri regia. No segundo Noturno, ‘Fêtes’, há essa passagem onde os três trompetes soam de repente, à distância. Esse momento me encantou imediatamente, Desde então eu sabia: também quero fazer isso!”

    “A figura mais importante na minha infância foi meu avô. Ele lecionava História Antiga na universidade de Palermo e eu achava que ele quase todos os anos aprendia uma nova língua. Era uma pessoa fantástica. Traduziu, por exemplo, o Evangelho do aramaico antigo, e citou também a passagem que falava dos irmãos de Jesus Cristo. Aí ele foi excomungado. Acho que até se orgulhava disso. Lembro de longas caminhadas que fazíamos nas montanhas, onde eu aprendia coisas incríveis; pra toda vida… Ele dizia com frequência que ser generoso nos enriquece.”

    “A magia de um instante musical vivo não surge à força, por um comando do regente. Ela acontece, ou não. É algo muito delicado, frágil. Pra obtê-la, o regente precisa se abrir para a orquestra e criar uma atmosfera de confiança. Isso é a sua liderança. E é preciso aprender a se escutar mutuamente… A música nos mostra que escutar é mais importante que falar.”

    “No inverno passado morreu minha irmã Luciana. Ela fez muito pela Música Nova. Em três anos morreram meus dois irmãos. Primeiro meu irmão mais jovem, depois ela. Acho que preciso tomar cuidado.”

  7. Paulinho
    |

    Grande Amancio! Estou a anos-luz de vocês enquanto ouvinte, mas você escreveu coisas que me lembrou Arthur da Távola em seu velho “Quem tem medo de música clássica”, sobre Abbado: “Vejam como ele conduz a orquestra, com suavidade e ao mesmo força”.

    Bom, a frase não era exatamente esta, mas é algo do tipo, rs. :-)

    Abraço!

  8. Tiago Arruda
    |

    Amancio, quando você diz ter Abbado na mais alta estima, eu não duvido de forma alguma, pois quando compramos uma integral das sinfonias de Beethoven com um regente “qualquer”, já tendo esta integral na maravilhosa interpretação de Bernstein, é porque este regente é digno de muita consideração e respeito por nós.

    Descanse em paz, Abbado…

  9. André Peric Tavares
    |

    Parabéns pelo texto e pelas comparações.

    Incrível mesmo esse exemplo da Sinfonia Italiana. As diferenças nos nuances do primeiro movimento são gritantes.

    E o final da nona de Mahler? Já até foi citado aqui, se não me engano, naquele post sobre comportamento nos concertos, quanto à questão dos aplausos.
    https://www.youtube.com/watch?v=FNNOZT0GC2k
    ~1:12:32 em diante.

    RIP, Abbado.

  10. F. S. Monteiro
    |

    Y ya se fué don Paco a buscar el duende entre dos águas…

  11. Amancio Cueto Jr.
    |

    Quando li sua mensagem não entendi muito bem… mas aí li esta notícia:
    http://musica.uol.com.br/noticias/efe/2014/02/26/musico-espanhol-paco-de-lucia-morre-aos-66-anos.htm

    Outra grande perda.

  12. Marcelo José
    |

    Obrigado por ter postado este artigo, Amancio. Claudio Abbado foi muito importante na minha vida musical. Sua regência dos concertos para piano de Mozart, tendo como solista Rudolf Serkin, selaram o meu destino a este compositor. Devo muito a Abbado por isto. Abraços. Marcelo José.

  13. Flavio J. Morsch
    |

    Desculpem-me todos quanto à Nona de Mahler em Lucerna. Tudo bem, Abbado foi grande, inclusive com Nona de Mahler, que considero ,junto com a Oitava de Bruckner, o que alguém chamou de “Sinfonia das sinfonias”…em sua gravação berlinense ,principalmente no insuperável adágio final.
    Em Lucerna, Abbado praticou uma Sétima de Bruckner com coesão e organicidade, mostrando que a “Jovem” orquestra sabia encarar os majestosos blocos de Anton. Porém, na Nona de Mahler-Lucerna, a leitura está camerística, demasiada ênfase em detalhes transparentes , falta de densidade, de drama e do pessimismo “pesado” que caracteriza a obra.

  14. Amancio Cueto Jr.
    |

    Olá Flávio! Respeito sua opinião, mas concordo com ela vendo por outro viés: vc não acha SENSACIONAL que uma obra dessas possa ter “n” interpretações diferentes? Cada regente tem sua visão da obra, mas ao invés de escolher uma, eu fico com todas. Quando eu quero ouvir uma Nona pesada, vou de Giulini; para uma Nona mais lânguida, Karajan; para uma Nona intimista, Abbado.

  15. Flavio J. Morsch
    |

    Obrigado pela resposta, caro Amâncio. Ela renderia muitos outros tentáculos. Uma “Nona” ,seja de quem for, ora intimista, ora majestosa, ora em instrumentos originais(Gardiner), ora leve, ora pesada. Você tem razão subjetivamente; Tudo é subjetivo. Como os oratórios de Handel com efetivos muito grandes ou muito pequenos. Posso ter até vontade de ouvir o Saul, ou Teodora, deste ou daquele jeito.
    Há outra questão: Fazemos certos “estereótipos”(tudo requer aspas em arte?) que condicionam a gente a certas leituras.
    Conheci Mahler e Bruckner sob B Haitink no Concertgebow, vinil. Nem histéricos, nem intimistas. Meu filho se chama Gustavo. Depois , conheci inúmeros outros padrões de regência. Quanto aa Nona de Mahler , acho magnífica, quase insuperável a de Abbado com BPO em Berlin. Estranhei a de Lucerna ,tanto quanto apreciei deveras a Sétima de Bruckner.
    Em meu sentir, Mahler é sempre “intimista”, mas, como ele mesmo disse, sua música falaria do cosmos. Claro que ela transmite,como nenhuma outra , a angústia humana e a cética posição do homem diante de um universo hostil.Nao consigo separar o intimismo de Mahler de seu humanismo “cósmico”, quase teológico.
    Posso estar condicionado, mas, desta forma, não consigo curtir vários Mahlers, um intimista, outro holístico. Ele é indivísível, a meu ver. O relativo e o absoluto nele se confundem no tecido amplo, não no microcosmo do oboé.
    Assim eu sinto, mas tudo é complexo e subjetivo. Mahler me marcou tanto e suponho tê-lo captado tanto, que nao desejo “outro Mahler”. Sei, dá pano para manga..
    Abraço

  16. Jorge Bravo
    |

    Sim realmente, Abbado é com Mahler indiscutivelmente magnifico.

  17. Flavio J. Morsch
    |

    Amâncio!
    Ontem revisitei a Nona de Mahler em Lucerna. Eu disse acima que creio em um Mahler indivisível a dispensar idiossincrasias. Bobagem minha. Não há monolitos e deuses imutáveis. Julguei válida, se posso validar o que quer que seja, a versão senil de Abbado. Senti, no finalzão, ou quis sentir, A intimidade de Abbado com a Morte, a mesma que Mahler sempre teve. Obviamente, nada disso é científico, assim como não poderemos jamais dizer qual a versão “correta” de uma grande obra, pois sua complexidade exigirá “traduções”. Possivelmente há mais interpretações “erradas” do que “certas”. Os grandes mestres , se ouvissem as leituras de instrumentistas e instrumentos modernos (seja dentro dos HIP ou fora deles) talvez oferecessem mais reprovação do que aprovação.
    Temos o costume de canonizar algum regente aqui e ali, conforme foi nosso debut ante aquela obra, ou como se precisássemos fazer o ranking.
    Voc~e tem razão: podemos ter um Mahler de verão e outro de inverno….
    Se Bach, Beethoven e Mahler fossem facilmente traduzíveis, não seriam o que são.
    Minha geração praticamente só conheceu e sagrou o Beethoven de Karajan. Agora, comparo o HIP de Gardiner, cuja Marcha Fúnebre da Eroica dura 12 minutos, contra os 17 min.de Baremboim, na orq West-Eastern. Mesmo nao sendo HIP, a juventude desta orquestra emprega um fulgor (À Dudamel?) que o hierático Karajan não tinha. Como errados todos estão, preferimos dizer que bons todos são. Se não navegássemos em nebulosas, não estaríamos a falar de Música. Obrigado!

Deixe uma resposta