Os instrumentos do Bolero de Ravel

John Singer Sargent: El Jaleo
John Singer Sargent: El Jaleo

O Bolero de Ravel é uma excelente obra para um iniciante aprender o nome (e o som) dos instrumentos de uma orquestra sinfônica. Se para você só estava faltando a lista com a sequência dos instrumentos da música, agora não falta mais: continue lendo.

O que é o Bolero de Ravel?

Boléro é uma obra do francês Maurice Ravel (1875-1937) escrita sob encomenda para a dançarina Ida Rubinstein. Sim: ela foi criada como um balé e assim teve sua estréia, em 1928. No programa constava a seguinte descrição:

Dentro de uma taverna na Espanha, pessoas dançam sob o lustre de latão pendurado no teto. Incentivada pelo público, a dançarina pula sobre uma mesa longa e seus passos se tornam cada vez mais animados.

Hoje em dia, porém, ela é raramente apresentada com dança; o mais comum é ouvi-la em salas de concerto. Aos que duvidam da origem espanhola de seu ritmo, recomendo ouvir os primeiros 30 segundos desde vídeo aqui e tirarem suas próprias conclusões.

Formato

A proposta de Boléro é bastante audaciosa: uma melodia em duas partes, aqui chamadas de “A” e “B”, repete-se várias (muitas!) vezes trocando apenas de instrumentação, indo de pianissimo a fortissimo num longo crescendo. A cada repetição da melodia, um novo instrumento assume a parte do solo. Eis a lista, na sequência:

1. Flauta (A)

O primeiro instrumento solo do Bolero é a flauta, um instrumento de sopro que, apesar de ser feito de metal, pertence ao grupo das “madeiras”:

Flauta e Flautim

Ravel: Bolero – 1. Flauta (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

O flautim ou piccolo é um parente próximo da flauta, de timbre similar porém mais agudo. A orquestra de Boléro emprega dois flautins, conforme veremos mais à frente (seção 9-A).

2. Clarinete em Si bemol (A)

ClarinetesO segundo instrumento solo do Bolero é o clarinete, outro instrumento do grupo das madeiras. Porém, o que mais intriga os iniciantes é o que significa o tal “Si bemol”.

A orquestra sinfônica tradicional emprega vários tipos diferentes de clarinete. Os mais comuns são: o pequeno clarinete em Mi bemol (também conhecido por Requinta), os clarinetes em Dó, em Si bemol e em Lá, e o clarinete-baixo em Si bemol (também conhecido por Clarone). A diferença entre a requinta e o clarone é fácil de perceber: um é bem agudo, e o outro muito grave. Mas e os outros três?

A nota musical que descreve o clarinete é da afinação principal do instrumento, ou seja, na prática ela delimita as tonalidades onde o instrumento tocará melhor e mais afinado. Assim, o clarinete em Si bemol se dá melhor em tonalidades com bemóis, e o clarinete em Lá em tonalidades com sustenidos. E para não confundir os músicos, na partitura são anotadas as notas como se fossem todas num clarinete em Dó; o mesmo dedilhado que soa “dó” num clarinete em Dó soará Si bemol num clarinete em Si bemol e Lá num clarinete em Lá. Veja por exemplo como fica a partitura da melodia do Boléro, que é em Dó Maior, no clarinete em Si bemol:

Clarinete em Si bemol tocando em Dó Maior
Clarinete em Si bemol tocando em Dó Maior

Ravel: Bolero – 2. Clarinete em Si bemol (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Uma curiosidade: não tem harpa no Bolero de Ravel? Tem sim! Mas ela toca apenas no acompanhamento, e sua primeira aparição é aqui ao final do solo do clarinete:

Ravel: Bolero – 2-3. Acompanhamento da harpa (Bernard Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

(Quem quiser curtir melhor o som da harpa recomendo este post aqui, sobre o Concerto para Flauta e Harpa de Mozart!)

Fagote e contrafagote3. Fagote (B)

O primeiro instrumento a tocar a segunda parte da melodia (a parte B) é o fagote.

Ravel: Bolero – 3. Fagote (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

O fagote também pertence ao grupo dos sopros de madeira, e possui um outro parente que soa uma oitava mais grave, o contra-fagote. Ravel emprega um contrafagote no Bolero, mas o instrumento apenas ajuda no acompanhamento sem ganhar maior destaque.

4. Clarinete em Mi bemol (B)

Falamos tanto da família dos clarinetes, e aqui está mais um deles: o petite clarinete em mi bemol conhecido como requinta.

Ravel: Bolero – 4. Clarinete em Mi bemol (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

5. Oboé d’amore (A)

Ao contrário do que muitos pensam, o instrumento a seguir não é o oboé, mas um parente dele, o oboé d’amore:

Oboé e corne inglês

Ravel: Bolero – 5. Oboé d’amore (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

A família do oboé compreende vários instrumentos, mas os três mais usados são o oboé tradicional, o oboé d’amore (afinado em Lá) e o corne inglês (afinado em Fá). O oboé d’amore possui um timbre um pouco mais grave do que o oboé tradicional, mas não tão escuro quanto o do corne inglês, e foi usado com frequência durante o barroco. Durante o romantismo ele foi preterido em favor do oboé tradicional, mas ressurgiu depois no início do século XX.

Ravel também emprega dois oboés tradicionais e um corne inglês no Bolero, mas eles não aparecem sozinhos, apenas em grupo (veja depois na seção 10-A). Um século antes, Berlioz havia escrito um diálogo entre o oboé e o corne inglês no movimento lento de sua Sinfonia Fantástica, e ali fica bem fácil distinguir o timbre de ambos (o oboé é o mais agudo):

Berlioz: Sinfonia Fantástica – 3. Scene aux champs (Riccardo Muti – Philadelphia Orchestra):

6. Trompete e flauta (A)

Voltando ao Bolero, agora ouvimos dois instrumentos tocando juntos, um trompete com surdina e uma discreta flauta.

Ravel: Bolero – 6. Trompete e flauta (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

A surdina é uma peça de metal que abafa o som do instrumento, por vezes alterando seu timbre. E falando em timbre, lá no final (seções 17-A e 18-B) ouviremos um outro tipo de trompete de timbre mais brilhante, o trompete piccolo. Mas a pergunta que vale mesmo um milhão é, como é que o trompetista consegue tantas notas com apenas 3 pistões?

Notas do trompete natural
Notas do trompete natural

O trompete é um instrumento de sopro do grupo dos metais, e é o primeiro desse grupo a tocar aqui no Bolero. Diferente das madeiras, para produzir som nos metais não basta apenas assoprar: é necessário vibrar os lábios, da mesma maneira como se toca um berrante ou uma vuvuzela. O ar dentro do tubo vibra por simpatia, e o instrumento acaba produzindo um dos sons da série harmônica dependendo de como se vibra os lábios. O som produzido é geralmente uma das notas entre o 3º e o 16º harmônico – e é por isso que o trompete natural, que não possui pistões nem válvulas, tem uma quantidade tão limitada de notas. Já no trompete moderno, conforme os pistões são pressionados, o instrumento passa a emitir sons de outras séries harmônicas. A combinação de três pistões gera 7 séries harmônicas diferentes, o que dá 2 oitavas e meia de notas cromáticas.

7. Saxofone tenor (B)

O saxofone é um instrumento de sopro que une a potência dos instrumentos de metal com a agidade dos sopros de madeira. Assim como o clarinete, existem vários saxofones com afinações diferentes, e Ravel acabou escolhendo para o Bolero três tipos diferentes de saxofone. Primeiro ouvimos aqui o sax tenor e na seção seguinte (8-B), os saxofones sopranino e soprano:

Saxofones

Ravel: Bolero – 7. Saxofone tenor (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

8. Saxofone sopranino, depois Saxofone soprano (B)

Ravel: Bolero – 8. Saxofone soprano (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

A seção B da melodia do Bolero possui notas muito graves para instrumentos agudos, e é por isso que a melodia começa com o saxofone sopranino mas deste trecho em diante é substituído pelo saxofone soprano:

Ravel: Bolero – 8b. Trocando de saxofone (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Atualmente as orquestras preferem empregar um saxofone soprano para toda a seção, primeiro porque o sopranino é um saxofone um tanto incomum, e segundo porque este é o único lugar onde ele aparece em todo o Bolero, sendo assim fácil de substituí-lo.

Apesar de ser feito de metal, o saxofone pertence ao grupo das madeiras porque seu modo de produção de som é similar ao do clarinete, com boquilha e palheta. Para pertencer ao grupo dos metais, o instrumento teria de produzir som com a vibração dos lábios conforme explicado anteriormente com o trompete, e este não é o caso do saxofone.

9. Trompa, 2 flautins e celesta (A)

Muitas pessoas tem dificuldade para reconhecer este instrumento aqui, que às vezes soa como uma trompa, às vezes como uma harmônica de vidro. Afinal, que instrumento é este?

Trompa

Ravel: Bolero – 9. Trompa celesta e flautins (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Na verdade não são um, mas quatro instrumentos tocando juntos: trompa, celesta e dois flautins.

A trompa é um instrumento do grupo dos metais e que possui de três a quatro chaves, funcionando de maneira similar ao trompete já descrito na seção 6-A. Já a celesta é um instrumento de teclado que se parece com um piano, e o flautim foi oportunamente citado na seção 1-A quando falamos das flautas. Porém, apenas citar os instrumentos desta seção não revela o segredo magistral de Ravel…

CelestaQuando um instrumento qualquer produz um som, a nota gerada nunca tem uma frequência pura: fisicamente ela sempre vem acompanhada de outras notas com um volume sonoro muito baixo, conhecidas por “frequências harmônicas” ou simplesmente “harmônicos”. É a diferença de intensidade de cada um destes harmônicos que cria o timbre, e faz com que o clarinete, por exemplo, soe tão diferente do oboé mesmo quando emitindo a mesma nota. O segredo de Ravel, nesta seção, foi colocar instrumentos agudos justamente em cima dos harmônicos da trompa, alterando assim o seu timbre.

Então, desmontando o segredo: a trompa toca a melodia solo em Dó Maior; a celesta toca as mesmas notas uma oitava acima (o 1º harmônico) e 2 oitavas acima (o 3º harmônico); um flautim toca as notas uma oitava e meia acima (o 2º harmônico, com a melodia transposta para Sol Maior), e um segundo flautim toca duas oitavas e uma terça acima (o 4º harmônico, com a melodia em Mi Maior). Ouça:

Trompa – Celesta 1 – Flautim 1 – Celesta 2 – Flautim 2 – Montagem:

Porém, tudo isso só funciona se os instrumentos agudos tocarem suavemente, seguindo as instruções da partitura e sem se destacarem acima do som da trompa, do contrário a mágica não funcionará. Como neste vídeo aqui (clique!), um concerto ao vivo não editado onde o regente Kent Nagano comete este deslize.

Na transição para a próxima seção, as cordas em pizzicato (isto é, tocadas com o dedo e não com o arco) sugerem o som de um violão, notem:

Ravel: Bolero – 9-10. Pizzicatos imitando violão (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

10. Oboé, oboé d’amore, corne inglês e 2 clarinetes (A)

Palhetas

Aqui ouvimos vários instrumentos de madeira tocando juntos. Curiosamente, o oboé d’amore toca em Sol Maior, exatamente como um dos flautins na seção anterior:

Ravel: Bolero – 10. Palhetas (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Comum a todos os instrumentos desta seção é o uso de palhetas, que são lâminas finas que vibram com a passagem do ar. É a vibração da palheta que faz a coluna de ar vibrar dentro do tubo do instrumento, produzindo o som. Clarinetes e saxofones possuem uma palheta só, presa à boquilha; oboés e fagotes possuem duas palhetas presas uma à outra.

11. Trombone (B)

TromboneO trombone é outro instrumento do grupo dos metais, de funcionamento similar ao trompete descrito na seção 6-A. Porém, enquanto o trompete possui pistões para fazer o ar passar por caminhos mais longos, o trombone possui uma vara deslizante com a mesma função.

Ravel: Bolero – 11. Trombone (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Bem lá no final, no último player, ouviremos os trombones deslizando várias vezes de uma nota para outra, um efeito chamado de glissando. Poucos instrumentos de sopro conseguem executar glissandos com tanta facilidade quanto o trombone.

12. Sopros de madeira (B)

E finalmente ouvimos os sopros de madeira tocando juntos, não todos eles mas uma boa parte: 2 flautas, flautim, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes e o saxofone tenor.

Ravel: Bolero – 12. Madeiras (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

O flautim não possui notas graves o suficiente para tocar toda a melodia da seção B, assim deste ponto em diante ele para de tocar:

Ravel: Bolero – 12b. Flautim parando (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

No final da seção, surge o tímpano para ajudar na parte do acompanhamento:

Ravel: Bolero – 12-13. Tímpanos (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

O tímpano é um instrumento de percussão que já ganhou aqui em Euterpe um post inteiro só para ele, clique aqui para ler.

13. Primeiros violinos e sopros (A)

Aqui temos a entrada triunfal dos primeiros violinos. Eles não tocam sozinhos: a melodia é compartilhada também com 2 flautas, flautim, 2 oboés e 2 clarinetes:

Ravel: Bolero – 13. Primeiros violinos (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Uma pergunta muito comum sobre violinos é, como o músico sabe onde estão as notas? A resposta é simples: ouvindo! Com o estudo e a prática do instrumento, o músico iniciante vai treinando seu ouvido para sons cada vez mais afinados, e a mão adquire uma espécie de “memória” para a localização das notas – o mesmo tipo de memória que as pessoas utilizam para caminhar em casa na escuridão sem esbarrar nos móveis.

14. Primeiros e segundos violinos com sopros (A)

E outra pergunta frequente: qual a diferença entre os primeiros e segundos violinos? Fisicamente, nenhuma: os instrumentos são os mesmos, apenas os músicos estão divididos em dois grupos para tocarem coisas diferentes, ou juntarem as forças quando necessário. Pelo mesmo motivo temos na orquestra duas flautas, dois clarinetes, dois fagotes, etc.

E aqui a resposta à mesma pergunta na prática: compare o áudio da seção anterior (13-A), onde os primeiros violinos tocavam a melodia, com o desta seção, onde os primeiros e segundos violinos dividem-se tocando melodia e harmonias:

Ravel: Bolero – 14. Primeiros e segundos violinos (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Da mesma forma que antes, os violinos aqui também não tocam sozinhos: a melodia é compartilhada com 2 flautas, flautim, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes e saxofone tenor.

15. Violinos e sopros (B)

Violino e violaNesta seção, temos primeiros e segundos violinos, 2 flautas, flautim, 2 oboés, corne inglês e trompete:

Ravel: Bolero – 15. Violinos e sopros (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Quando a melodia da seção B caminha para as notas graves, o flautim é substituído pelo clarone, o trompete pela trompa e os segundos violinos pelas violas:

Ravel: Bolero – 15b. Substituições (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

16. Cordas e sopros (B)

Violoncelo e contrabaixoE finalmente temos grande parte da família das cordas tocando juntas: primeiros e segundos violinos, violas e violoncelos, e mais 2 flautas, flautim, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes, trombone e saxofone soprano:

Ravel: Bolero – 16. Cordas e sopros (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

No final, o flautim é substituído pelo clarone, e o saxofone soprano pelo saxofone tenor:

Ravel: Bolero – 16b. Substituições (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

17. Vários instrumentos (A)

Última apresentação da seção A: primeiros violinos, 2 flautas, flautim, 3 trompetes, trompete piccolo (comentado lá na seção 6-A), saxofone soprano e saxofone tenor:

Ravel: Bolero – 17. Vários instrumentos (A) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Diferente das outras vezes, aqui a seção A não é repetida.

18. Vários instrumentos (B)

Última apresentação (porém incompleta) da seção B: primeiros violinos, 2 flautas, flautim, 3 trompetes, trompete piccolo, saxofone soprano, saxofone tenor e trombone:

Ravel: Bolero – 18. Vários instrumentos (B) (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

E diferente das outras vezes, a melodia é interrompida quando chega na parte dos graves, deslocando-se por um breve trecho para Mi Maior:

Ravel: Bolero – 18b. Mi Maior (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

O retorno a Dó Maior é bem dramático e nos apresenta a mais três instrumentos de percussão: o bumbo, os pratos e o tam-tam.

Ravel: Bolero – 18c. Percussão (Bernard Haitink – Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam):

Percussão

O bumbo é aquela percussão mais grave que faz tremer até o palco. Os pratos são discos de metal, às vezes percutidos com uma baqueta, às vezes percutidos um contra o outro. E o tam-tam é um tipo de gongo suspenso, sem afinação definida. Finalmente, não podemos esquecer do único instrumento que não parou um instante sequer desde o início do Bolero, a caixa clara.

Quem ficou interessado em ver todos esses instrumentos em ação, não deixe de assistir ao vídeo abaixo da Orquestra Filarmônica de Viena com o excelente venezuelano Gustavo Dudamel. No início a impressão que se tem é de que está um pouco lento, mas depois você se acostuma, vai por mim!

Ou, se preferir relembrar toda a análise em vídeo…

68 Respostas

  1. João Rizek
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    Belo Post! Mais didático impossível! Parabéns mais uma vez pelo Blog!

  2. Amancio Cueto Jr.
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    Para quem entende alemão, aqui (sim!) tem uma verdadeira aula de Bolero de Ravel:
    http://www.youtube.com/watch?v=V2_XLBSMBlo

    E aqui, um vídeo hipnotizador do Celibidache:
    http://www.youtube.com/watch?v=AmEJLoawItU

  3. Kamila Schneider
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    Parabéns pelo ótimo post e também pelo incrível trabalho do blog!

  4. Mario Reuter
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    Praticamente uma aula sobre os instrumentos. Muito bem explanado por este blog. Situação semelhante poderia ser feito com a também muito boa obra: The Young Person’s Guide to the Orchestra, Op. 34, de Benjamin Britten. Esta sim foi escrita originalmente com finalidades educativas. E neste caso, Britten teve uma idéia um pouco diferente, destacando também as diferentes seções da orquestra. Eu já tive uma ótima gravação desta obra em vinil com narração em português, que infelizmente a perdi. Se por acaso alguém a tiver e puder compartilhar, por favor me comunique. Obrigado.

  5. Amancio Cueto Jr.
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    Eu tenho essa gravação! :-) Mas é em LP, e há anos eu não tenho mais um toca discos.

    Procurando no Youtube por “Britten Guia orquestral” vc acha algumas gravações, algumas com narração em espanhol, outras sem narração nenhuma e apenas com imagens da orquestra ou fotos dos instrumentos. É uma dica.

  6. Caio Costa
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    Olá! muito didático mesmo o post, deu pra aprender muito sobre os instrumentos de uma orquestra moderna. Por um acaso teria algum post sobre tonalidade e o tipo de sentimento que cada tom nos implica?
    Por exemplo, ouvi dizer que Mi bemol maior é a tonalidade do heroismo/romantismo, Si menor a tonalidade da angústia/desespero, Dó sustenido menor do funério/lamentoso e Sol maior da alegria.
    É bem sabido por exemplo que a tonalidade menor transparece uma sensação mais triste e a maior o oposto…
    Sempre me perguntei por que é assim…
    Abraço!

  7. Amancio Cueto Jr.
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    Olá Caio! Ainda não temos nenhum post associando tonalidades com sentimentos, mas está nos meus planos escrever um sobre esse assunto. Falando rapidamente (só para vc não ficar sem resposta), há dois lados nessa associação, um lado subjetivo e um lado físico/técnico. O aspecto subjetivo é obviamente o que mais se destaca. Somos “nós” (os ouvintes) que vemos angústia, heroísmo e tristeza numa música abstrata. O compositor pode até ter planejado algo nesse sentido, o músico ou regente pode até ter direcionado sua interpretação para enfatizar este ou aquele sentimento, mas a palavra final é sempre do ouvinte. Tanto que há músicas que uns consideram tristes, e outros consideram alegres – faz parte do jogo. A série “A objetividade e a subjetividade na música” discute um pouco sobre essa questão, dê uma olhada lá.

    Já a questão física/técnica merece uma resposta um pouco mais extensa do que essa que eu vou dar aqui. Os instrumentos em geral possuem notas e tonalidades onde eles soam melhor, as notas possuem mais brilho e ressonância. Pense nos instrumentos de cordas, que são mais fáceis de entender: uma nota “Sol”, em qualquer oitava, vai ressoar bem porque conta com ajuda da corda Sol solta, que vibra por simpatia (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos possuem corda “sol”). A mesma coisa acontece com a nota “Ré”, que encontra ressonância maior nas cordas soltas “Ré” dos quatro instrumentos de arco. “Sol” e “Ré” são as duas notas mais importantes da tonalidade de “Sol Maior”, então uma orquestra tocando em Sol Maior soará de forma brilhante sem muito esforço (confira aqui no sexteto 2 do Brahms, que é em Sol Maior). Já uma peça em Dó sustenido menor é como uma pista de aeroporto com as luzes apagadas: todas as notas que o músico precisa não têm grande ressonância, o som não abre, e o instrumento soa opaco, fraco, apagado mesmo. Tem de soar meio triste, não acha?

  8. Leonardo T. Oliveira
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    Na série “A objetividade e a subjetividade na música”, especialmente a parte II e a parte III trataram sobre isso de alguma forma.

    Mas a pergunta do Caio me faz pensar ainda mais na segunda parte da resposta do Amancio: esses dados físicos dos instrumentos certamente influenciaram na escolha da tonalidade pelos compositores, e isso naturalmente definiu certa palheta de tonalidades associadas por conveniência a uma gama de temperamentos musicais.

    Mas, enquanto o post do Amancio não sai, lembro de indicar uma discussão no espaço dos comentários do post “A canção mais assustadora de Schubert” que teve um nível muito bom exatamente sobre este assunto: clique aqui para ver o começo dela. E ali, mais do que a escolha inicial de uma tonalidade, discutiu-se o comportamento da harmonia no decorrer de uma música mesmo.

  9. Luiz Renato
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    Que aula! Obrigado.

  10. Caio V. C. Lopes
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    Entendi Amâncio, parece que a tonalidade menor sôa triste pela sequência tom-semitom-tom-tom-semitom-tom-tom, já que a alternancia é brusca na segunda nota, um semitom de cara, parecendo um piso em falso, e novamente outro piso em falso na terceira nota pra resgatar o tom inteiro… parece que o som fica meio torto com esses “pisos em falso”…Vale esse raciocínio?
    Já no tom maior não, a sequência é tom-tom-semitom-tom-tom-semitom, e portanto a progressão fica mais natural, só lá na terceira nota que a alternância é de semitom.

    Leonardo, fui lá conferir, aprendi bastante! Obrigado.
    Queria aproveitar a sua deixa, sobre a canção mais assustadora de Schubert, e replicar com exemplos impressionistas e/ou dodecafônicos, em que a tonalidade vai pro ralo.

    Ouvindo obras de Schoenberg como a Serenata op. 24, não consigo me decidir se ouço algo alegre ou triste.
    Já no caso de Debussy e Ravel, ao invés de sentimentos que a tonalidade transmitiria, o que me vem à cabeça são imagens estáticas, como paisagens ou retratos, como cada título de suas obras sugere (ex.: Garota com cabelos linhados, A igreja submersa, Ilha dos prazeres, Clarão da Lua, Sonho, Prelúdio da tarde, O mar, etc.), talvez por causa da harmonia não ser a convencional (escalas pentatônicas e hexatônicas). Será que é daí que batizaram o estilo de impressionismo, contra a vontade dos compositores?

    Partindo pra música pós-guerra, a única coisa que paira é puro tormento, tumulto, caos, bizarrice, nenhuma sensação de paz sequer, na música de Stockhausen e de Schnittke. Baixei toda ópera Licht, tentei muito me familizarizar um pouquinho que seja com esses elementos radicais, mas não consegui ainda, por causa de intervenções inusitadas, barulhos com a boca, estalos, parafernália eletrônica, árias extremamente ásperas de se ouvir, tons exacerbadamente graves… e por aí vai.

    Parece que é o Além-música, como um aluno de Stockhausen dizia… “Beethoven é O Músico, Mozart é O Músico, Bach é A Música e Stockhausen é o Além-Música.”

  11. Amancio Cueto Jr.
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    Caio,

    Continuo achando que a associação menor-triste é mais subjetiva do que objetiva, mas se estivermos procurando razões para nossa subjetividade, vale sim o seu raciocínio e ainda adiciono mais um. São 12 as notas musicais, e a escolha de 7 delas nos dá uma tonalidade, certo? Mas na tonalidade menor sentimos falta de uma sensível (a 7ª nota) mais “contundente”, que “implore” pela resolução na tônica, e assim adicionamos a ela um semitom a mais, um sustenido ou bequadro. Só que então o intervalo entre a 6ª nota e a 7ª fica muito grande (um tom e meio), e para aliviar esse degrau adicionamos também um semitom ao 6º grau. Isso faz com que a escala menor tenha de 7 a 9 notas (maior cromatismo comparando-a com a escala maior), e a quantidade de acordes de três notas suba de 7 para até 13 (!) acordes (maior instabilidade tonal se comparada com a tonalidade maior). São mais “pisos em falso” para o seu raciocínio, certo?

  12. Nicole Lima
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    Vou dançar bolero ,tenho 10 anos e amei o ritmo eu aconselho que ouçam Coração De Bolero de Flavia Alves Obg a todos bjs

  13. Leonardo T. Oliveira
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    Caio,

    Outra explicação seria o fato mais físico já mencinado nos comentários daquele post e aí em cima, de que o harmônico da terça maior é mais forte do que o da terça maior. Não à toa eu acho que as proporções pitagóricas para explicar harmonia são a melhor abordagem pra começar a pensar essas questões, porque você vê que a escala maior reforça os harmônicos mais importantes de uma tonalidade, enquanto a menor é como um arco tensionado, no sentido físico mesmo.

  14. Amancio Cueto Jr.
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    Nicole, hum… creio que nós estávamos falando de oooutro bolero aqui, não exatamente sobre o ritmo ou a dança ‘bolero’. Mas valeu o comentário!

  15. Diego Michel
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    Pessoal preciso me intrometer nesta discussão com uma dúvida, seria nestes termos de tom maior e tom menor que podemos validar a chamada Teoria-Doutrina dos afetos? Há outros incrementos, como a intensidade, para a aplicação desta Teoria?

    Vejo vários artigos sustentando que sua aplicação se dá com mais ênfase no período Barroco, no entanto acredito ser mais válido dizer que ela é mais notável no Romantismo.

  16. Leonardo T. Oliveira
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    Ah, e sobre o alegre-triste, mantenho a comparação com as cores pra ilustrar como essa associação pode ser “apriorística”: seria justo considerar a cor preta “triste”? Por seus atributos, ela obviamente pode figurar em cenas e símbolos de luto, mas ela também pode funcionar como marca de intensidade, como em Degas, ou de maneira galante e imponente, como na sombra que valoriza alguns retratos, etc. Ou seja, as cores não assumem valor como símbolos a priori, elas funcionam de maneira relativa dentro do contexto da imagem, e eu penso que os intervalos musicais também são assim: um acorde menor é fisicamente tenso, mas pode preceder um acorde de diminuta ainda mais tenso e assumir um significado mais complexo nesse contexto do que simplesmente “triste” (aquela coisa: por que o tom maior não pode ser histriônico ou grotesco ao invés de alegre?, e o menor não pode ser nostálgico ou sedutor ao invés de triste?) – tudo depende da maneira como esses intervalos são articulados no discurso musical.

  17. Amancio Cueto Jr.
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    Diego, a doutrina dos afetos é bem mais abrangente do que apenas os modos maior/menor, e sim, inclui outros elementos musicais para representar sentimentos específicos. Só que, me permita discordar, eu ainda acho mais fácil percebê-la no Barroco (onde ela é BEM mais evidente) do que no Romantismo, onde as coisas deixam de ser pretas e brancas e passam a ter tons de cinza. É um assunto bem interessante, mas não sou o mais preparado para discorrer sobre ele.

  18. Ubaldo
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    Parabens pelo excelente trabalho.
    Muito didático e pedagógico
    abs
    Ubaldo Rizzaldo Jr
    cellista

  19. inês bachiega
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    Adorei seu blog e em especial essa postagem. vou reler para absorver melhor, já que não sou uma musicista e só toco violão popular.
    visite o site da produtora direcaocultura.com.br e o selo kalamata.com.br
    ah, encontrei seu blog no anuário VivaMúsica!
    abraço e sucesso
    Inês

  20. Adenauer Valerio Rocha
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    Caros, As chaves do Sax Soprano é a mesma da Flauta Transversal?

  21. Amancio Cueto Jr.
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    Ach’que não… Não sou saxofonista nem flautista, mas pelas fotos não só a quantidade de chaves é diferente entre os instrumentos, mas também a posição delas me parece bastante diferente.

    O Google pode ajudar bastante nesses casos. Procurando por “Digitação do saxofone soprano” eu caí aqui:
    http://www.ivanmeyer.com.br/forum/index.php?showtopic=28606
    E procurando por “Digitação da flauta transversal” eu caí aqui:
    http://www.scribd.com/doc/36408121/Posicoes-da-notas-na-Flauta-transversal

    Com certeza deve haver vários vídeos no Youtube explicando como tocar ambos os instrumentos. Por exemplo, pra começar, dá uma olhada nesse vídeo aqui:
    http://www.youtube.com/watch?v=DSjMyeZnfQY

    Divirta-se! :-)

  22. joão jesus
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    de fato uma boa aula sobre instrumentos de orquestras.

  23. Daniel Borges
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    Resolveu minha dúvida sobre as diferenças entre os oboés.

    Grato.

  24. bruna
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    Parabéns pelo post! Vai complementar meu trabalho de matemática discreta! Preciso expandir esse trabalho e gostaria de indicações de música que tenham um estilo aproximado do Bolero, em que a melodia é tocada por um instrumento de cada vez, mas são todos unidos por um instrumento em comum… (no caso do Bolero, a caixa que mantém a união dos mesmos). Obrigada!

  25. Elisangela Martins
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    Caramba!!! Este blog é uma delícia de se ler e ouvir, não tenho palavras para descrever minha admiração. PARABENS!
    Sua fã de Manaus.

  26. Leonardo T. Oliveira
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    Bruna,

    A “Fantasia Coral” de Beethoven, depois de um prelúdio para piano solo, expõe um tema e variações que passam por diferentes naipes da orquestra acompanhados sempre pelo piano, até o coro se juntar à orquestra no final. Uma análise dela pode ser vista neste site: http://lvbchoralfantasy.tripod.com/.

    Também “melodia tocada por um instrumento de cada vez” me lembra da orquestração do Ricercar a 6 vozes da “Oferenda Musical” de Bach feita pelo Webern, em que ele experimenta revezar o fraseado de uma melodia para diferentes instrumentos.

  27. Bruna
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    E onde posso encontrar essa orquestração? Youtube tem?

  28. Leonardo T. Oliveira
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    Tem sim, Bruna! Por exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=2cLALT09Y0M. Sobre a técnica empregada pelo Webern (chamada de Klangfarbenmelodie) você pode ler aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Klangfarbenmelodie.

    E a “Choral Fantasy” (como costuma aparecer) de Beethoven também: http://www.youtube.com/watch?v=-mtdfz81a5I (esse vídeo é o primeiro de quatro partes).

  29. Vítor
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    Não gosto muito de Ravel, mas me rendo a essa obra.
    O trecho da trompa,celesta etc é incrível!

  30. Sara berte vieira de Araujo
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    Este site e mesmo espetacular, nunca vi tanta explosão de sentimentos dessa forma, a melhor forma de se espresar sentimentos. Ravel clássico encantável e sobre a duvida sobre instrumentos de boca, e sobre o que é violino e o que é contra baixo e o que é viola e violoncelo,

    espetacular meus comprimentos.

  31. Juliana Andrade
    |

    Boa tarde, tenho muito interesse em conhecer mais aspectos sobre esta obra tais como : aspectos concretos que sejam conhecidos na literatura relacionado com esta obra; a sua forma, textura, harmonia, nº de andamentos, se é que se presenciam nesta obra.
    Em que período histórico e artístico, Ravel pertence; qual o movimento musical ocorrente;
    Gostaria imenso de obter alguma resposta.

  32. Amancio Cueto Jr.
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    Olá Juliana, penso que vários dos seus questionamentos já se encontram respondidos no texto. As outras respostas vc pode encontrar nestes sites:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Ravel
    http://en.wikipedia.org/wiki/Bol%C3%A9ro
    http://imslp.org/wiki/Bol%C3%A9ro_%28Ravel,_Maurice%29#Full_Scores
    (Na Wikipedia, não esqueça de conferir as últimas seções: Notes/References, Bibliography/Further reading, e External links. Não esqueça que, por ter conteúdo colaborativo, a Wikipedia pode apresentar incorreções; sempre confira a informação pela fonte original.)

  33. Juliana Andrade
    |

    Muito Obrigado, Amancio :)

  34. Durvalino
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    Eu fiquei curioso para ver o video, Só que é privado, Tem outro link que não seja privado ????????????????

  35. Amancio Cueto Jr.
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    Olá Durvalino,
    Puxa, só agora reparei que o dono retirou o vídeo do ar. Que pena! O vídeo era muito bom mostrando os instrumentos, vou procurar algum outro para substitui-lo mas talvez não seja com o Kent Nagano.

    Achei este link aqui de outro concerto do Nagano, e novamente ele comete o mesmo erro na variação com a celesta, veja:
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=T0hdm_nPURc#t=421s
    (o vídeo já vai abrir na posição correta)

  36. Lucia Helena
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    Excelente post, mas o primeiro instrumento, fio condutor de toda música, não deveria ser a caixa?
    A regência de Celibidache está lindíssima, mas fora da métrica proposta por Ravel, que variou frequentemente mas nunca tão lento.

  37. Amancio Cueto Jr.
    |

    Oi Lúcia, vc está certa, o primeiro instrumento deveria ser a caixa. Mas eu aproveitei a sequência de instrumentos do Ravel para apresentar os instrumentos agrupados em suas famílias, primeiro os sopros, depois as cordas e por último a percussão. Por isso eu me segurei para falar da caixa somente no final, junto com o bumbo, pratos, e tam-tam.

  38. Letícia Vivaldini
    |

    Bom dia!
    Parabens pelo post, pelo trabalho!
    Eu estou fazendo um trabalho da faculdade e gostaria muito de usar essa música no meu vídeo e precisaria usar os instrumentos separados, assim como você colocou ao longo do post, teria como eu baixar esses trechos, ou você me indicar um lugar que eu posso encontrar para baixar?
    Muito obrigada desde já.

  39. Amancio Cueto Jr.
    |

    Bom dia Letícia!
    Infelizmente o blog não disponibiliza os áudios para download por “n” motivos que não vem ao caso agora. O que eu aconselho vc é procurar um editor de áudio (eu sugiro o Audacity que é free e vc pode baixar aqui) e editar o Bolero da Ravel separando as partes que vc quer. É fácil, e vc poderá usar o editor de áudio em outros trabalhos também.

  40. Louis
    |

    Olá, Amancio! Obrigado por me ajudar a melhorar minha percepção de timbres (de alguns instrumentos nem o nome eu sabia, rs).

    Vou contribuir indicando um vídeo que explica como encontrar as notas no violino: http://www.youtube.com/watch?v=kCQiGechFVU Mesmo quem sabe pouco de inglês vai conseguir entender. E acho que outra analogia simples para se entender como o músico sabe certinho onde colocar os dedos é lembrar das aulas de digitação (que talvez todo mundo tenha feito um dia) no teclado do computador. Aprende-se quais teclas (espaços do espelho do violino) cada dedo digita e depois é só pegar o hábito. ( :

    Abraço.

  41. Vanderley
    |

    Parabéns pela aula de apreciação musical. A apresentação dos instrumentos de forma clara e totalmente didática estimula a busca de música de qualidade. A escolha da obra foi excelente, pois além de conhecida também favorece muito.

  42. Russi
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    Bom dia,
    Achei muito legal a explicação sobre os instrumentos, mas tenho duas dúvidas que eu gostaria de saber:
    1ª Porque os instrumentos de sopro com afinação em dó tipo clarinete melody, não são usados nas orquestras ?
    2ª Porque a clave de fá na quinta linha caiu em desuso, se ajudaria muito na leitura, pois ficaria igual a clave de sol ?
    Obrigado,
    Russi

  43. Amancio Cueto Jr.
    |

    Olá Russi!

    1. Não sou clarinetista, e acho que um poderia responder melhor sua primeira pergunta. Mas me parece que o timbre do clarinete em dó é um tanto agudo e brilhante, e suas notas podem ser tocadas sem muitos problemas nos clarinetes em Si bemol (o mais comum) e em Lá, que possuem um timbre mais rico e grave. Vale a pena lembrar, se pensarmos no grupo das madeiras como um coro, o papel do soprano caberia às flautas; os contraltos seriam os oboés; o baixo caberia aos fagotes, e aos clarinetes seria designado o papel do tenor. Então, quando o compositor vai escrever uma obra para orquestra, ele realmente precisa que os clarinetes soem mais escuros, mais para o lado dos fagotes do que para o lado das flautas. Claro, há exceções: Richard Strauss, por exemplo, escreveu bastante para o clarinete em dó porque ele queria mesmo aproveitar seu timbre brilhante.

    2. Essa é realmente uma boa pergunta! Mas acho que tem a ver com questões históricas, de uso mesmo: criou-se o hábito de simplificar e utilizar claves em posições “normais”, digamos assim. Repare que, se vc pegar um instrumento de teclado (piano, órgão, cravo), o dó central fica exatamente “no meio” das duas pautas: na primeira linha suplementar abaixo na clave de sol, e na primeira linha suplementar acima da clave de fá. (Veja a primeira figura desta página, clique aqui). Como o uso desses instrumentos se popularizou com os séculos, creio que houve uma espécie de “imposição” no uso das claves nessas posições.

  44. Ivan Wagner Cordeiro de Azeredo
    |

    Excelente trabalho. Didático e elucidativo, não só quanto aos instrumentos usados, mas também quanto aos pormenores da composição. Ajudou-me em muito na identificação dos instrumentos que não me eram familiares. Parabens.

  45. Ana
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    Olá Amancio, excelente seu artigo. Não deixei de ler um instante desde a primeira palavra. Fui degustando os textos e as imagens logo no início, e deixei os áudios para o final. Como a azeitona da empada, ou a cereja do bolo.
    Não sem antes passar aqui e deixar meus agradecimentos e felicitações, pelo trabalho maravilhoso feito.
    Gosto do assunto e sabemos que não é muito comum encontrar textos sobre. O seu é uma raridade, em qualidade e competência, por falar de algo complexo com a facilidade do respirar.
    Tenho um blog e bem sei o quanto leva de tempo e dedicação fazer um artigo desta qualidade. Só muito amor ao tema para explicar.
    Parabéns mais uma vez e sucesso amigo.

  46. newton marques
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    Assistirei repetidamente esta aula, sou apaixonado pelas mulheres e pela música.
    Maravilha

  47. zé sobrinho
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    Fantastico…

    Quando a flauta inicia é acompanhada por mais dois isntrumentos…
    E possivel individualiza-los também? Ao junta-lo numa mesa de estudio é possivel obter o mesmo efeito de uma orquestra ou filarmonica?
    Pode indicar um programa para isso? Acabei de baixar o Audacity mas ainda não sei dos resultados…
    Quero ir juntando os instrumentos num crescendo…Por exemplo, ao invés de 1, duas ou mais flautas e assim por diante….
    A meta é uma orquestra/filarmonica com 2500 instrumentos/integrantes

    Obrigado

  48. Amancio Cueto Jr.
    |

    Olá José!

    Não sei se eu entendi bem suas dúvidas, mas qualquer coisa vc me pergunta de novo!

    Quando a flauta inicia, ela toca acompanhada de uma caixa clara, e mais violas e violoncelos em pizzicato, marcando o tempo discretamente. Vc conseguirá ter essas informações detalhadamente se consultar a partitura (baixe-a aqui, de graça: http://imslp.org/wiki/Bol%C3%A9ro_%28Ravel,_Maurice%29 ). O Audacity é um excelente editor de WAV e MP3, mas vc só conseguirá separar os instrumentos se vc tiver acesso a uma gravação multi-canal (por exemplo, aquelas feitas com 8 ou mais microfones espalhados pela orquestra). Se vc usar um CD estéreo como fonte, vc só conseguirá os sons do lado esquerdo e direito, e aí a coisa complica.

    O que vc pode fazer é instalar um programa de edição de MIDI, como por exemplo o Finale, Sibelius, Encore, e outros similares. Nestes programas vc digita a partitura, e assim vc conseguirá separar as vozes e combinar os instrumentos da forma que desejar. Para um resultado mais profissional, converta o resultado MIDI em WAV ou MP3 e, aí sim, com o Audacity, vc combina os instrumentos como num estúdio de música.

  49. Otávio Martins Amaral
    |

    Pôxa, caras, vocês são demais, muito bons. Nossa, que bom que eu “achei vocês”. Vou mandar pra tudo que é lado.
    E esse Dudamel, hein? Um grande maestro. Claro que a orquestra é divina. Mas, a regência é magnífica

    Otávio Martins Amaral, NB – nb.jornal@yahoo.com.br

  50. Otávio Martins Amaral
    |

    Sei, já li lá em cima. Meus comentários aguardam aprovação. Meus comentários precisam de aprovação? De quem? Nem Deus, se existisse, teria o dom ou o direito de aprovar a opinião de um simples mortal. Otávio Martins Amaral. NB-Notícias do Brasil.

  51. Amancio Cueto Jr.
    |

    Olá Otávio! Concordo contigo, mas nós não alteramos as opiniões emitidas, nos somente autorizamos sua publicação no blog. Nossa política de aprovação de mensagens tem o intuito apenas de evitar spams e coibir excessos. Um exemplo de que aceitamos opiniões divergentes e críticas está nos comentários do post sobre o André Rieu, dá uma olhada lá.

  52. zé sobrinho
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    Muito obrigado Amancio!

    Executo 10 flautas individuais no Audacity, mas o efeito é de ‘uma’ flauta ampliada (inclusive os ruidos), e não do conjunto, talvez porque o algoritmo não consigue reproduzir o efeito sonoro/deslocamento de ar de dez instrumentos e emular o tipo de ambiente. O analógico não casa com o digital.
    Vou tentar com o Sibelius e o Finale…

  53. Amancio Cueto Jr.
    |

    Olá Zé! Se vc apenas “copiou” as faixas, o efeito realmente vai ser apenas de volume, e não de conjunto, pois as 10 flautas estarão tocando exatamente a mesma coisa. Mas pense, se fosse um conjunto “real”, com músicos de verdade, os 10 flautistas nunca soariam iguais, pois cada um teria seu próprio próprio som, timbre, respiração, intensidade, velocidade, técnica, etc. Para simular isso no audacity, pegue cada uma das flautas e vá combinando efeitos diferentes entre elas, misturando efeito de reverbe com change pitch (ligeiras desafinações, 0.05 de semitom por exemplo) e inserindo pequenos intervalos de silêncio (0.01 segundos, por exemplo) no começo das faixas para desincronizá-las. Além disso, distribua as faixas espacialmente usando os controles L-R (Esquerda-direita) – na tela, ficam do lado esquerdo de cada faixa.

  54. zé sobrinho
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    Olá Amancio!

    Caramba! Então a beleza de uma orquestra esta na imprecisão do conjunto? Se fossem 10 aparelhos de som tocando a mesma flauta (como fiz no Audacity) teríamos o conjunto “perfeito/volume” sem a beleza de dez músicos ‘reais’ fazendo lambança musical?
    É por isso que ouvimos (hj menos) criticas a gravação digital x analógica (LP) agulha no sulco?

  55. Amancio Cueto Jr.
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    A imprecisão é o segredo de qualquer interpretação musical. Pode verificar: o tempo nunca é metronomicamente igual do começo ao fim, a intensidade das notas idem. Ponha o computador para tocar de maneira perfeita, e perde-se a alma do negócio.

    Só não confunda “música gerada por computador” com “música gravada com tecnologia digital”, são coisas BEM diferentes. As tecnologias de gravação são responsáveis apenas por gravar os sons em um meio físico (CD, DVD, tape, LP), mas não geram o som (como o midi/computador).

  56. cassio
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    possivelmente um dos melhores posts de blog da historia. pudera te-lo achado antes.abraco

  57. Heitor Faria da Costa
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    Sou Iniciante.Achei fantástico o texto, que além de claro, foca o que de melhor teria que ser extraído do exemplo (Bolero – Ravel) e, ilustrado com o som “contextual” dos instrumentos. Há tempos que vinha “procurando” um texto como este.
    Grato.
    Heitor

  58. Ester Capeleto das Neves
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    O que dizer? Sensacional, onde posso baixar ? Parabéns.

  59. Amancio Cueto Jr.
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    Olá Ester! Infelizmente nossa política do blog impede os leitores de baixarem os áudios, tentando evitar problemas de copyright. Mas vc pode curtir o áudio completo assistindo os dois vídeos que encerram o post.

  60. Edson Barbosa Nunes
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    Senhores,
    Podemos mesmo dizer que temos uma das melhores formas de ensino em que a didática enriquece a vida do aprendiz a ele incentivando para seu aperfeiçoamento, pela gradativa e perfeita aula expositiva. Que tenhamos no Brasil, em alguma época, algum Ministro da Educação que não ouça os arrogantes de nossos conservatórios que pensam serem donos da verdade sobre a música e a levam para seus túmulos, exceto Carlos Gomes. Quando temos algum grande nome não saiu de nossos conservatórios. Isso é triste, porque por orgulho pensam que conservatório é celeiro de talentos. Sempre pensaram em uma seleta sociedade que seja alcançada por poucos, todavia, podemos citar Abel Ferreira, Paulo Moura e outros instrumentistas que não puderam entrar naquelas suntuosas de alunos ricos.

  61. Edson Barbosa Nunes
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    Desculpem-me por desabafar tanto no comentário anterior, mas a aula dada servirá para ensinar a todos que a leiam, em razão do seu conteúdo e didática.

    A beleza do Bolero de Ravel é a exploração instrumental onde esse genial francês buscou a natureza dos instrumentos quanto aos sons e recursos que oferecem, conseguindo respostas que a diversidade natural de cada um é capaz de impressionar, em câmara ou ao ar livre sem preocupação de perda da qualidade, desde que o ambiente seja silencioso.

  62. John
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    Post fenomenal, parabéns pelas descrições e pelos audios tão didáticos.

  63. João
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    Tenho pesquisado mta coisa na net mas nunca tinha assistido a uma explicação tão completa e aprendido tanto sobre esta obra. Muito muito obrigado.

  64. Davi
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    Excelente post.
    Com relação ao saxofone, Marcel Mule, segundo professor da cadeira de saxofone do Conservatório Superior de Música de Paris, foi o primeiro a substituir o saxofone sopranino em Mib para o saxofone soprano em Sib no Bolero pelas mesmas razões apresentadas no blog.
    Gostaria de sugerir um post sobre a escola francesa de saxofone ou o saxofone na Música de Concerto.
    Obrigado e parabéns pelo blog.

  65. Amancio Cueto Jr.
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    Olá Davi! Muito obrigado pela preciosa informação!

  66. Joselma Correa
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    Ótimo artigo, me ajudou muito.

  67. Cleide
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    Nossa quanta informação relevante achei no seu site. Estava difícil achar algo que passe tanta informação de valor. Obrigado e meus parabéns.

  68. Spartaco Nottoli
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    Ótimo artigo Amâncio! Este blog é demais!

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