Euterpe, 5 anos

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RoyalFireworksÁgua-forte colorida anunciando a execução da Música para os Reais Fogos de Artifício de Händel em 15 de maio de 1749

Ontem Euterpe completou cinco anos redondos! Já é tradição revisarmos a produção anual do blog, e este ano não será diferente!

Temporada

A temporada 2014-2015 teve certa melancolia produtiva, com as publicações baixando de frequência e mesmo de abrangência. Mas apenas vejam isto:

rascunhos

Há DEZOITO posts rascunhados, esperando apenas o tempo e a inspiração dos autores para concluí-los e publicá-los por aqui. O mais é encontrar o tempo ideal na vida severina, mas a música continua sendo motivo suficiente daquela perplexidade saudável diante de tantas surpresas para termos o que compartilhar!

História

Neste quinto ano tivemos grandes posts de história da música: “Emanuel Bach: 300 anos de um gênio negligenciado” e “Gluck: 300 anos do reformador” fizeram jus a dois compositores de genialidade irresistível do período clássico, e “Um intermezzo galante na música” tratou de uma fase histórica difícil de se compreender e definir – a ponte entre os períodos do barroco e do classicismo. E para despertar o lado mais melômano dessa perspectiva histórica, quem diria, até as polêmicas listas voltaram a dar o ar da graça em “15 óperas para ouvir antes de morrer”.

Análises

Das análises, depois de um dos primeiros posts da história do blog apresentando a Nona Sinfonia de Beethoven, Amancio revisitou a obra de maneira ainda mais profunda em “Todas as formas serão irmãs: a Nona Sinfonia de Beethoven”, mostrando que a atitude grandiosa de se dirigir a toda a humanidade como irmãos também parece ter acontecido no nível da forma. E uma série involuntária parece estar se formando no blog com a análise de algumas canções e o seu sentido tanto poético como musical: já foram vistos casos de Schubert, Schumann e neste quinto ano do blog foi a vez de Brahms em “A música e a experiência do infinito (“Feldeinsamkeit”, de Brahms)”, sobre o sentimento do infinito em uma cançãozinha singela mas de beleza arrebatadora.

Teoria

Um post especial cumpriu tanto o papel de análise de obra como de teoria musical: o “Concerto de Ano Novo em Euterpe” passou por danças de Brahms, Mozart e pelas famosas valsas de Johann Strauss Jr. e com isso exemplificou uma das formas mais tradicionais da história da música – a forma seccionada. Assim, nosso acervo de formas musicais explicadas, como a forma-sonata (e sua irmã, a forma-sonata de concerto), o tema com variações, a fuga e a forma livre, ficou mais completo.

Bônus

Por fim, dois momentos especiais: um hangout sobre “o que é música clássica?”, que teve a minha participação em vídeo junto ao Adriano Brandão e ao Tiago de Lima Castro, e a versão brasileira de uma piada do P.D.Q. Bach em “E se os concertos fossem narrados como jogos de futebol?”.

Que nesta próxima temporada os rascunhos saiam da gaveta e que a música ainda nos revele muitos sentidos do Universo!

Este post pertence à série:
1. Euterpe, 1 ano
2. Euterpe, 2 anos: retrospectiva retroativa
3. Euterpe, 3 anos
4. Euterpe, 4 anos
5. Euterpe, 5 anos

6 Respostas

  1. nadia maria
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    Parabéns a todos da equipe pelo incrível trabalho realizado no blog!! Aguardando ansiosamente por novos post.
    Adorei o hangout, é um ótimo espaço para o debate. Espero que haja novas edições em breve.

  2. Stifan Kranski
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    Pessoal, fica aqui meu apoio para o blog, que conheci recentemente e que, desde então, passou a me acompanhar durante cada dia posterior a este feliz achado. O trabalho de vocês é maravilhoso e eleva uma condição não muito valorizada, que é a do Amador (tomada quase sempre como uma ofensa, absurdo que deforma a grande beleza que reside nesta posição).
    Enfim, todos sentimos na pele que não está fácil para ninguém, e por mais que eu respeite o momento de cada um de vocês, fica aqui um lapso egoísta em forma de súplica para que continuem este trabalho fantástico, que com certeza vai seguir encantando os leitores….
    Grande abraços a todos, e parabéns pelos anos de vida haha (:

  3. Leonardo T. Oliveira
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    Caro Stifan,

    Seu comentário foi tão sensível que teve uma pertinência impressionante, muito obrigado pelo seu apoio!

    Estamos sempre com grandes planos para o blog, muitos deles já esboçados e tudo, apenas aguardando o tempo oportuno de cada um. Às vezes é difícil fazer a produção do blog refletir o nosso entusiasmo nos bastidores, mas espero que ainda este ano tenhamos ótimas novidades.

    E você tem razão a respeito do amador: essa cisão entre amadores e profissionais no que a música tem de mais essencialmente humana e apaixonante é simplesmente errada e um imenso desperdício. Que bom que mesmo essa questão se tornou consciente a você por aqui!

    Espero, enfim, que não demore muito pra termos mais a conversar. Grande abraço e escreva-nos sempre!

  4. bruno dilettantte
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    Conteúdo é o que não falta. Blog com conteúdo a moda antiga, tem que ser desbastado!

  5. bruno dilettantte
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    Encontrar um lugar na internet com conteúdo realmente CONSISTENTE é algo raro.. Em língua portuguesa-br sem fins lucrativos é a primeira vez que acho. Como o amigo acima, peço também que continuem o trabalho ótimo, pois ´so quando estamos com as amarras do pensamento livre produzimos algo realmente tendente ao neutro. O foco de vocês é a música. E o que é refinado infelizmente nunca foi popular, mesmo em tempos que temos tudo de graça. Por isso menos pessoas com qualidade e dedicação valem mais que 100 mil ‘likes’. Conteúdo com fundamento, por favor continuem assim!

  6. Leonardo T. Oliveira
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    Caro Bruno,

    Muito obrigado pelo empolgante comentário! Que a sua leitura por aqui seja sempre espontânea e motivadora, de modo que possamos compartilhar do mesmo entusiasmo pela música e contar sempre com as suas impressões.

    Grande abraço!

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