Em 20 de julho de 2012, por Greg Sandow

Como eu escrevi em meu último post (mais detidamente):

Não estou dizendo que todo momento em toda apresentação clássica deve ser novo e eclético. Vamos ter que ver o que evolui, mas eu imagino um mix amplo. Especialmente à medida que o que for apresentado venha em última instância dos músicos! Alguns vão favorecer música mais antiga, alguns mais nova. Alguns vão favorecer peças clássicas, outros serão mais diversos.

O que é crucial é não deixar nada de fora. Uma noite só de Schubert, Les Noces na próxima semana, Shuffle.Play.Listen no meio da semana, e então um concerto planejado por estudantes, como aquele de meu último post, acontecendo no meio da rua. Então uma retrospectiva de Stockhausen, e então meu amigo Stewart Goodyear tocando sua maratona de Beethoven, todas as sonatas em um único dia.

Dito isso, eis aqui alguns outros exemplos do que pode ser feito. Do que tem sido feito. Eu marco alguns de meus e-mails como “Sinais dos tempos,” para anúncios sobre novos pontos de partida na música clássica (ou outros exemplos de modos antigos definhando).

(E de fato, eu deveria tê-los chamado de Sign ‘O’ the Times, inspirado pelo álbum do Prince.)

Eis aqui quatro anúncios, que chegaram todos – então você poderá ver quão frequentes eles são – entre 6 de junho e 12 de junho:

  • Blind Ear Music (uma série de concertos em Nova Iorque):

Mendelssohn: Quarteto de Cordas em Lá menor, Op. 13
Haydn: Quarteto de Cordas (definido pelos resultados de uma enquete com o público)

Attacca Quartet

Reifsteck: Questions Unanswered
Ciupinski: Drop Zone Spinei: Pick Up

Cadillac Moon Ensemble

Ciupinski: Marathon

Flutronix

Reifsteck: Inwood Hill Park

Flutronix and Attacca Quartet (com colaboração em tempo real entre compositor e público)

“A primeira metade do concerto é tradicional-com uma surpresa. Depois de uma apresentação convencional do Quarteto de Cordas em Lá menor, Op. 13 de Mendelssohn, o Attacca Quartet tocará os temas de quatro Quartetos de Haydn. Assim como telespectadores votam em seus candidatos favoritos no American Idol, o público no concerto usará seus celulares para votarem na obra de Haydn que eles querem que os Attaccas apresentem integralmente.

[Sobre a colaboração compositor/público:]

“Curtas frases musicais foram previamente compostas e reunidas por compositores do Blind Ear: Adam Reifsteck, Cristina Spinei [uma de minhas alunas na Julliard de alguns poucos anos] e Jakub Ciupinski no software de execução do Blind Ear e uma rede Wi-Fi conectada a computadores laptop que controlam propriedades musicais tradicionais. À medida que a música for tocada, o público influenciará as decisões musicais do compositor enviando mensagens de texto para votarem em vários parâmetros composicionais como tempo, complexidade, humor e dinâmica. O resultado é que o público consegue contribuir com o som da composição em tempo real. Para mais informações, visite www.adamreifsteck.comwww.blindearmusic.com.

[A imagem acima vem do e-mail da Blind Ear.]

  • Richard Reed Parry e Warhol Dervish na Ottawa Chamberfest (parte da programação noturna da “chamber fringe” deles):

“O concerto terá uma apresentação da Music for Heart and Breath [Música para Coração e Respiração] de Parry, um ciclo de composição vanguardista que requer músicos vestindo estetoscópios durante a apresentação enquanto tocam em sincronizadores com seus próprios batimentos cardíacos e respirações individuais. As composições foram encomendadas e apresentadas anteriormente pelo Kronos Quartet, Kitchener-Waterloo Symphony e Y Music ensemble. [Note o histórico de apresentações desta peça – muito respeitável.]

“A ideia para a colaboração entre eles na Chamberfest tomou forma em 2011 em Montreal, quando Warhol Dervish planejava seu programa para Innovations en concert, um novo concerto de música de câmara dirigido por Cassandra Miller. Parry e Warhol Dervish e o fundador Pemi Paull se conheceram no começo dos anos 1990 na Canterbury High School em Ottawa.

“‘Cassandra mostrou uma gravação de Music for Heart and Breath e sugeriu que considerássemos apresentá-la’, diz Pall. ‘Era uma linda e maravilhosa obra. Para mim, o vínculo de Canterbury acrescentou uma dimensão pessoal que era impossível ignorar.’”.

[Excelente plano, ter um festival de música de câmara, e então acrescentar um fringe, com coisas novas acontecendo. Uma sofisticada estratégia de transição, voltada tanto para um público antigo como novo.]

  • Christian Marclay, The Clock, uma instalação com vídeo no David Rubenstein Atrium do Lincoln Center:

“Em sua épica instalação com vídeo, The Clock, o artista/músico Christian Marclay atrai atenção para o tempo como um protagonista multifacetado de narrativa cinemática. Usando uma variedade de relógios, de torres a relógios de pulso, alarmes a um ocasional cuco, Marclay exibe milhares de trechos de filmes para indicar a passagem do tempo. A instalação é constituída de uma espetacular variedade de períodos, contextos e gêneros, representando uma história completa de 100 anos do cinema – assaltos a bancos, cenas de perseguição, salas de emergência, tiroteios, comédias mudas, dramas detetivescos, e mais. Com habilidade virtuosística, o artista separou trechos de cada um desses momentos de imagem e som dos seus contextos originais e os editou para formar uma montagem de 24 horas, que se desdobram em tempo real, sincronizados com o tempo local do espaço da exibição. The Clock recebeu o prêmio Golden Lion de 2011 como melhor obra de arte na Venice Biennale. Para mais informações sobre o artista, visite: paulacoopergallery.com/artists/CM.”

[De novo, note a história, o prêmio em Veneza. Trata-se de coisa séria. E é oferecido por uma instituição de artes performáticas, ajudando-os a se posicionarem – paralelamente a suas ofertas tradicionais – como um lugar para a nova arte. O que, nas apresentações que eles trazem, eles de fato são. Toda instituição de artes performáticas deveria pensar em se abrir, de algum modo, para arte avançada (como acabamos de ver a Ottawa Chamberfest fazer). Pessoas de fora do público clássico estão envolvidas com coisas avançadas. Apenas veja a cobertura de artes na New York Times e no Washington Post: relato após relato sobre instalações de arte e arte performática.)

[Christian Marclay, a propósito, começou como músico. Eu costumava resenhá-lo em suas apresentações ao vivo com mesas giratórias, no começo dos anos 80, antes de muitas pessoas nas artes saberem que DJs de rap estavam usando mesas giratórias para fazerem coisas novas.]

  • White Light Festival do Lincoln Center, acontecendo em outubro e novembro:

Aqui estão destaques da programação:

Première americana de Rian, apresentada pelo Fabulous Beast Dance Theatre da Irlanda.

O virtuose Wang Li toca berimbau de boca e flauta cabaça

Première em N.Y. de Vertical Road, do coreógrafo Akram Khan

Cameron Carpenter toca Bach ao órgão do Alice Tully Hall

Das Lied von der Erde de Mahler, arranjado para orquestra de câmara, conduzida por Matthias Pintscher, e apresentada pelo pianista Emanuel Ax, membros da New York Philharmonic, mezzo-soprano Tamara Mumford e tenor Russell Thomas

Cosmic Pulses, programa exclusivo de Stockhausen, apresentado pelo percussionista Stuart Gerber e pelo projetista de som Joe Drew

Debut americano do Latvian Radio Choir

Mary Chapin Carpenter canta seu novo álbum, Ashes and Roses

A obra musical/teatral de Heiner Goebbels I went to the house but did not enter [Eu fui para casa mas não entrei], com o Hilliard Ensemble

Esa-Pekka Salonen rege a Philharmonia Orchestra na Sinfonia No. 9 de Mahler

Vou falar mais sobre este em meu próximo post. E sim, três dos meus quatro exemplos de hoje vêm de Nova Iorque, então as pessoas podem se apressar em dizer que uma programação como esta não é possível em outros lugares. Mas um exemplo vem de Ottawa. E de fato coisas como esta podem ser (e são) feitas quase em qualquer lugar, um ponto que devo abordar periodicamente. (Surgiu bastante nos comentários.)

“Programming for a new audience — more examples”, por Greg Sandow, traduzido por Leonardo T. Oliveira.

Este post pertence à série A crise da música clássica, por Greg Sandow:
1. Um tempo selvagem, em 12 de junho de 2012
2. A grande mudança, em 14 de junho de 2012
3. Por que o público vence a apologia, sempre, em 15 de junho de 2012
4. Construindo um público jovem (primeiro post), em 19 de junho de 2012
5. Colocando isso em prática, em 20 de junho de 2012
6. Construindo um público jovem (segunda parte), em 24 de junho de 2012
7. Construindo um público jovem (mais sobre música nova), em 27 de junho de 2012
8. Construindo um público jovem (mais sobre a mudança da cultura), em 28 de junho de 2012
9. Construindo um público jovem (prova da mudança da cultura), em 2 de julho de 2012
10. Programando a música clássica para a nova cultura (primeiro post), em 8 de julho de 2012
11. Boulez e Godard, em 11 de julho de 2012
12. Programando para um novo público: um exemplo, em 13 de julho de 2012
13. Programando para um novo público — Shuffle.Play.Listen, em 17 de julho de 2012
14. Programando para um novo público — mais exemplos, em 20 de julho de 2012
15. Programando para um novo público — coisas que funcionaram, em 24 de julho de 2012
16. Nova programação — expandindo a caixa, em 25 de julho de 2012
17. Repertório — post final, 31 de julho de 2012
18. Tocando mais vividamente, para o novo público, em 2 de agosto de 2012
19. Tocando mais vividamente — segundo post, em 6 de agosto de 2012
20. O que temos que fazer, em 11 de setembro de 2012
21. Quatro pontos para o futuro, em 13 de setembro de 2012

Deixe uma resposta